NOSSA VISÃO CRÉDITO E MERCADO

NOSSA VISÃO 01/03/2021
RETROSPECTIVA
A última semana de fevereiro fechou com queda em grande parte do mundo, o movimento mais adverso foi influenciado pela alta das taxas das treasures norte-americanas, esse aumento de taxa de juro prefixada, acaba gerando uma reprecificação direta ou indireta no resto do mundo.
As vacinas também seguiram sendo destaque, com a pandemia mostrando sinais de enfraquecimento em algumas regiões, devido a uma agenda de imunização mais veloz, entretanto não é o caso do Brasil, que segue sendo prejudicado pelo vírus, no momento a região sul do país é a mais afetada.
Nos Estados Unidos, os benefícios promovidos pelo governo destinado aos trabalhadores e as empresas, parece finalmente pressionar os índices inflacionários, despertando cautela para a mudança na trajetória da taxa de juros em torno do mundo.
Além disso, um novo pacote fiscal deve ser aprovado até o final de março e, entre outras medidas, a prorrogação do seguro-desemprego extra e mais cheques às famílias, isso pode ocasionar um período de consumo mais elevado.
O consenso é que o banco central norte-americano se manifeste e indique que irá atuar para impedir que as taxas das treasures continuem subindo, enquanto isso não acontece, ainda fica uma atenção voltada aos próximos passos da autoridade monetária dos Estados Unidos.
Na Europa, após algumas semanas obtendo resultados positivos, a última semana de fevereiro indicou uma realização de lucros por lá, principalmente no setor de tecnologia, porem também observou o movimento americano em relação aos títulos do tesouro.
Na Alemanha, os indicadores mostraram bons resultados para a economia no quarto trimestre de 2020, na Espanha, o presidente Pedro Sánchez anunciou uma ajuda de € 11 bilhões para alguns setores que mais sofreram impactos pela pandemia, como o turismo, hotelaria e restaurantes, porém ainda se espera uma ajuda superior a anunciada.
No Reino Unido, o primeiro-ministro Boris Johnson renovou no dia 22/02 o plano de abertura no pós-pandemia, apresentando um roteiro detalhado para a reabertura do Reino Unido, após dois meses de um “lockdown”.
Na Ásia, a semana ficou sem um horizonte definido, por um lado o bom resultado no último trimestre de 2020 como fato positivo e por outro os acontecimentos nos Estados Unidos, referente aos rendimentos dos Treasuries norte-americanas.
O Banco do Povo da China ganhou destaque na semana, devido aos índices de inflação estarem em ascensão e despertando a cautela sobre uma possível mudança na política monetária.
Por aqui, o Ibovespa fechou o mês em queda de 4,37%. Na semana, o índice também obteve perda de 7,08%, puxado pela polêmica envolvendo a Petrobras. No acumulado do ano, o Ibovespa está negativo em 7,54%.
O mercado segue atento nas declarações advindas do governo, em principal o desenrolar da PEC emergencial, que será votada semana que vem, contendo alguns temas polêmicos em relação a saúde e educação.

RELATÓRIO FOCUS
Para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), as projeções subiram de 3,82% para 3,87%. Para 2022, a previsão para o IPCA também subiu, de 3,49% para 3,50%. Para 2023 e 2024, as estimativas ficaram em 3,25%.
A projeção para o PIB (Produto Interno Bruto) ficou em 3,29% em 2021. Para 2022, a estimativa ficou em 2,50% e para 2023 e 2024.
A taxa de câmbio saiu de R$5,05 para R$5,10 em 2021. Para 2022, o câmbio saiu de R$5,00 para R$5,03. Para 2023, a projeção saiu de R$4,90 para R$5,00. No ano seguinte, o valor saiu de R$4,96 para R$5,00.
Para a taxa básica de juros, os analistas mantiveram os 4,00% em 2021, alta em 5,0% para 2022. Para 2023 e 2024, a projeção é de 6%.

PRESPECTIVA
Podemos observar alguma mobilização dos Bancos Centrais em relação a política monetária, tendo em vista o plano de vacinação em prática, a aceleração da inflação e os estímulos que seguem sendo despejados na economia.
Podendo se esperar uma mudança na taxa de juros no futuro próximo, como já é adiantado no relatório semanal do Banco central.
Devemos observar também, o desenrolar da PEC emergencial, que foi prorrogada, mas deve ser votada na primeira semana de março.
A partir disso, teremos que avaliar o andamento de reformas e em qual intensidade será elaborada, agora com a Câmara e Senado definido. O que tudo indica é auxílio emergencial menor e por cerca de quatro meses, como o mais indicado, sendo preciso ainda observar a PEC emergencial.
Devemos observar também o processo de imunização da população brasileira com novas vacinas podendo entrar no plano inicial, mesmo atrasado, o país segue tentando cumprir o plano estipulado.
A preocupação com o quadro fiscal, o grave endividamento e teto de gastos, restando apenas esperar que o acordado seja respeitado, caso o desajuste fiscal aconteça, além de gerar desconfiança dos investidores estrangeiros, geraria um aumento inesperado na taxa de juros, por esse motivo, e do risco Brasil, fato que seria prejudicial para o momento atual da economia.
Situação que o Brasil vem tentando evitar ao longo dos últimos anos, reconquistar os investidores estrangeiros, a partir de um quadro fiscal mais bem elaborado, uma agenda de reformas estruturais, que ocasionalmente levaria o Brasil a um controle maior sobre as receitas e gastos governamentais.
Segue no radar, o aumento dos índices de preço da economia, uma inflação que começou acelerar e que tem impactos significativos já no curto prazo, podendo já ser vista no IPCA. Mesmo com o Relatório Focus indicando uma desaceleração do índice para os próximos períodos.
Apesar de todas as oscilações de mercado, as expectativas seguem sendo o plano de vacinação contra a Covid-19 e toda a pauta de reforma que segue sem definição pelo governo.
Os dados indicam uma pressão no curto prazo nos preços ao consumidor amplo e isto pode levar o Banco Central a intensificar as discussões sobre o ritmo das reformas. É provável que a qualquer sinal de melhora constante na economia, devemos ter uma elevação da SELIC, mesmo que antes do projetado.
Os sinais de abertura na curva de juros, demonstrada pelo aumento da taxa de juros e a alta volatilidade nos títulos federais de longo prazo, aliada ao fato que não acontecia desde 2002 e que aconteceu em setembro e outubro de 2020, com as LFTs (Tesouro Selic) sendo negociada a taxas negativas, indica a pressão sobre a Selic.
O mais recomendado para o atual momento é a cautela ao assumir posições mais arriscadas no curto prazo, a volatilidade nos mercados deve se manter sem ainda a desenhar um horizonte claro, em razão principalmente pelo nosso cenário político.
Mantemos nossa recomendação de adotar cautela nos investimentos e acompanhamento diário dos mercados e estratégias. Mantemos a sugestão para que os recursos necessários para fazer frente às despesas correntes sejam resgatados dos investimentos menos voláteis (CDI, IRF-M1, IDkA IPCA 2A). Para o IMA-B que é formado por títulos públicos indexados à inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que são as NTN-Bs (Notas do Tesouro Nacional – Série B ou Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais), não estamos recomendando o aporte no segmento, com a estratégia de alocação em 10%, sendo indicado para os RPPS que possuem porcentagem igual ou maior, aos que possuírem porcentagem inferior a 10%, recomendamos a não movimentação no segmento. Os demais recursos mantenham-nos em “quarentena” esperando um melhor momento para realocar. Tomar decisões precipitadas enseja realizar uma perda decorrente da desvalorização dos investimentos sem possibilidades de recuperação na retomada dos mercados. Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.

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