Nossa Visão – 14/07/2021 – CREDITO E MERCADO

Nossa Visão – 14/07/2021

RETROSPECTIVA

A semana mais curta devido ao feriado da Revolução Constitucionalista de 1932 se mostrou bastante volátil, seguindo um movimento internacional, principalmente norte americano, aliado ao cenário político nacional, que tem acrescentado um clima de tensão nos mercados.

Os ruídos no meio político com as investigações nas irregularidades da aquisição das vacinas, os áudios que citam o Presidente apresentados na CPI, tem apresentado maior sensibilidade para os mercados, que haviam deixado esses temas de lado nas últimas semanas.

Esses fatores têm ocasionado uma repercussão negativa nos mercados, porque indica uma polarização maior no ano que vem, nas eleições presidenciais em 2022, gerando um mal-estar nos agentes econômicos em relação aos possíveis desfechos em relação ao tema.

Além disso, há o receio de que a inflação continue alta, dado o recente reajuste nos preços da energia e dos combustíveis, que já vem sendo refletido nas projeções do mercado, onde a inflação ultrapassaria os 6% ainda em 2021.

Em relação ao câmbio, que experimentou uma valorização mais acentuada em junho, observamos agora uma desvalorização da moeda nas ultimas semana, fato que pode contribuir ainda mais para uma pressão nos preços do mercado interno.

Por fim, a reforma tributária ainda tem gerado um certo ruído em relação ao texto apresentado no congresso, por mexer com a tributação de empresas e de ativos financeiros.

Pelo lado positivo na semana, as vendas do comércio varejista subiram 1,4% em maio de 2021 ante abril, na série com ajuste sazonal, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado na quarta-feira (7).

O dado indica que o Brasil continua o processo de retomada econômica, que tende a ganhar mais força nos próximos períodos, uma vez que pandemia começa a demonstrar sinais mais claros de enfraquecimento, diante a uma agenda de vacinação mais eficiente.

No cenário externo, as preocupações em relação a pandemia ainda é um tema que preocupa os mercados, devido principalmente a variante delta, que tem potencial maior de disseminação, elevando as preocupações em relação a retomada econômica.

No entanto, a vacinação segue em ritmo acelerado na maioria dos países desenvolvidos, possibilitando um afrouxamento maior nas medidas de restrição, o que tende a aquecer a economia desses países.

O que leva as discussões para os estímulos monetários dessas economias, nos Estados Unidos, após a ata do Fed (Banco Central dos Estados Unidos), ficou clara uma divergência de opiniões em relação a retirada dos estímulos, dada a inflação acelerada.

Na Europa, a retomada econômica já se mostra mais robusta, devido a reabertura por lá, que está sendo possibilitada pela agenda de vacinação acelerada.

Em resumo, na semana, o Ibovespa fechou em queda de (1,7%), a Nasdaq e o S&P500 fecharam em estabilidade, (0,42%) e (0,39%) respectivamente.

RELATÓRIO FOCUS

Para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), a projeção subiu, de 6,07% para 6,11% em 2021. Para 2022, a previsão para o IPCA recuou, 3,77% para 3,75%. Para 2023, as estimativas ficaram em 3,25%. Para 2024, as projeções caíram de 3,25% para 3,16%.

A projeção para o PIB (Produto Interno Bruto) subiu mais uma vez, 5,18% para a 5,26% em 2021. Para 2022, a estimativa saiu de 2,10% para 2,09%. Para 2023 e 2024, as projeções ficaram em 2,50%.

Para a taxa de câmbio, a estimativa saiu de R$5,04 para R$5,05 em 2021. Para 2022, o valor ficou em R$ 5,20. Para 2023, a projeção caiu de R$5,05 para R$5,00. Em 2024, a taxa ficou em R$5,00.

Para a taxa Selic, os analistas elevaram as estimativas de 6,50% para 6,63% em 2021. A estimativa saiu 6,75% para 7,00% em 2022. Em 2023 e 2024, a projeção foi mantida em 6,50.

PERSPECTIVA

Observaremos durante a semana, o IBC-Br de maio, considerado a prévia do PIB do Banco Central, além do desempenho do setor de serviços de maio.

Além dos pontos relacionados a CPI da Covid, que após algumas sessões polemicas, tem se mostrado mais uma vez digna de atenção redobrada pelos mercados.

Um ponto de atenção é em relação a crise hídrica que passamos, principalmente devido a sua contribuição para a aceleração da inflação, devido a sazonalidade do período.

As expectativas positivas em relação ao Brasil, passam por um processo de imunização mais eficiente.

Teremos agora que acompanhar as decisões do Bancos Centrais em relação a política monetária, que indica seguir com medidas contracionistas, tendo em vista o plano de vacinação em prática, a aceleração da inflação e os estímulos que seguem sendo despejados na economia.

Os dados indicam uma pressão no curto prazo nos preços ao consumidor amplo e isto pode levar o Banco Central a intensificar as discussões sobre o ritmo das reformas.

Podendo se esperar mais mudanças na taxa de juros no futuro próximo, como já é adiantado no relatório semanal do Banco central.

A partir disso, teremos que avaliar o andamento de reformas e em qual intensidade será elaborada, agora com a Câmara e Senado definido.

Devemos observar também o processo de imunização da população brasileira com novas vacinas podendo entrar no plano inicial e agora com possível produção nacional com a ButantanVac.

A preocupação com o quadro fiscal, o grave endividamento e teto de gastos, restando apenas esperar que o acordado seja respeitado, caso o desajuste fiscal aconteça, além de gerar desconfiança dos investidores estrangeiros, geraria um aumento inesperado e brusco na taxa de juros, por esse motivo, e do risco Brasil, fato que seria prejudicial para a o momento atual da economia.

Situação que o Brasil vem tentando evitar ao longo dos últimos anos, reconquistar os investidores estrangeiros, a partir de um quadro fiscal mais bem elaborado, uma agenda de reformas estruturais, que ocasionalmente levaria o Brasil a um controle maior sobre as receitas e gastos governamentais.

Apesar de todas as oscilações de mercado, as expectativas seguem sendo o plano de vacinação contra a Covid-19 e toda a pauta de reforma que segue sem definição pelo governo.

O mais recomendado para o atual momento é a cautela ao assumir posições mais arriscadas no curto prazo, a volatilidade nos mercados deve se manter sem ainda a desenhar um horizonte claro, em razão principalmente pelo nosso cenário político.

Mantemos nossa recomendação de adotar cautela nos investimentos e acompanhamento diário dos mercados e estratégias. Mantemos a sugestão para que os recursos necessários para fazer frente às despesas correntes sejam resgatados dos investimentos menos voláteis (CDI, IRF-M1, IDkA IPCA 2A). Para o IMA-B que é formado por títulos públicos indexados à inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que são as NTN-Bs (Notas do Tesouro Nacional – Série B ou Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais), não estamos recomendando o aporte no segmento, com a estratégia de alocação em 5%, sendo indicado para os RPPS que possuem porcentagem igual ou maior, aos que possuírem porcentagem inferior a 5%, recomendamos a não movimentação no segmento. Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.

* Aos clientes que investem em Fundos de Participações e Fundos Imobiliários em percentual superior a 2,5% em cada, reduzir a exposição aos Fundos de Ações na proporção desse excesso.

Indicadores Diário – 09/07/2021

Índices de Referência – Junho/2021

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