ENFOQUE MACRO | INFORME SEMANAL E PERSPECTIVAS

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BRASIL: IPCA tem variação de 0,53% em junho e acumula alta de 8,35% nos últimos 12 meses

MUNDO:  Membros do FED consideraram iniciar o debate sobre a redução da compra de ativos

 

Inflação tem variação mensal de 0,53% em junho, resultado um pouco inferior à nossa projeção (0,60%) e do consenso de mercado (0,59%). A desaceleração em relação ao número de maio decorreu do arrefecimento das altas de energia elétrica residencial e combustíveis, itens que voltarão a acelerar em julho com os novos valores definidos para as bandeiras  tarifárias e o recente reajuste de gasolina e diesel nas refinarias. Apesar da desaceleração da inflação de bens industriais, o núcleo subjacente permanece em patamar elevado, com destaque para as pressões acima do esperado de vestuário, artigos de limpeza e produtos de higiene.  Serviços voltaram a ter variação positiva no mês com as altas de alimentação fora do domicílio, aluguel e condomínio. Com relação aos núcleos de inflação, que são métricas que excluem ou suavizam a variação de preços de itens voláteis, houve nova elevação da média móvel de 3 meses (6,8%) bem como do acumulado em 12 meses (5,0%), situando-se em patamar próximo ao teto da meta de inflação para esse ano.

Olhando à frente, o cenário de inflação segue desafiador. Além da situação hídrica, que pode impor novo aumento nas tarifas de energia elétrica, outros fatores de risco são baixo nível de estoques na indústria e o realinhamento de preços de serviços à medida em que avance a reabertura da economia. Nossa projeção para o IPCA deste ano é de 6,3%.

As vendas no varejo no conceito restrito tiveram crescimento de 1,4% em maio frente a abril. Em um mês no qual as restrições de mobilidade foram novamente reduzidas, o resultado veio pouco abaixo de nossa projeção (1,6%) e da mediana do mercado (2,3%). Dentre os componentes, apenas artigos farmacêuticos tiveram queda na margem (-1,4%).  As maiores contribuições positivas vieram de tecidos, vestuários e calçados (16%), combustíveis e lubrificantes (6,9%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (6,7%) – o setor engloba lojas de departamento, óticas, artigos esportivos e brinquedos. O varejo ampliado, que inclui todos os componentes do conceito restrito e adiciona as vendas de automóveis e materiais de construção, apresentou alta de 3,8% na margem. As vendas de veículos tiveram crescimento de 1,0%, mas o destaque ficou com a alta de 5,0% das vendas de materiais de construção. Com o resultado de maio, o volume de vendas tanto do varejo restrito quanto do ampliado se mantiveram acima do patamar pré-crise. No varejo ampliado, a média de abril e maio representa alta de 2,4% em relação à média do 1º trimestre deste ano. Nos próximos meses, o comércio continuará sendo beneficiado pela nova rodada de auxílio emergencial e pelo avanço da reabertura das atividades econômicas.

Dados de junho mostraram fraco desempenho da indústria automobilística. Segundo a Anfavea, a produção de veículos em junho teve queda de 5,5% em relação a maio na série com ajuste sazonal, especialmente por conta retração na fabricação de automóveis e comerciais leves. O setor foi novamente afetado por paralisações devido à falta de peças e componentes, decorrente de desorganização das cadeias globais de insumos. Com isso, a produção continua a se situar 15,7% abaixo do patamar pré-crise. Por sua vez, a venda de veículos recuou 3,5% de acordo com os dados da Fenabrave, também na série ajustada sazonalmente. Apesar disso, o nível de emplacamentos no 2º trimestre do ano foi 19,9% superior ao do 1º trimestre. As vendas de veículos foram positivamente afetadas pelo abrandamento das medidas de isolamento social dos últimos meses. O desempenho do setor automobilístico, nos próximos meses, dependerá de forma mais relevante da resolução de problemas de abastecimento de insumos, problema que afeta o setor globalmente.

Nos EUA, o Fed divulgou a ata da reunião de junho, na qual os membros consideraram iniciar o debate sobre a redução no grau de estímulo monetário. Em linhas gerais, no entanto, os membros reforçaram que apesar dos avanços recentes, ainda é necessário um “avanço substancial” para que as metas de inflação e emprego sejam atingidas. Em linha com as projeções que surpreenderam o mercado na reunião de junho, a ata revela que diversos membros apontaram a necessidades de reduzir os estímulos antes do esperado. A maioria do comitê, contudo, defendeu a necessidade de se adotar uma postura paciente antes de iniciar a retirada do estímulos. Sobre o cenário econômico, a ata revela que o comitê ainda demonstra incerteza elevada acerca da trajetória do mercado de trabalho e da inflação. Os membros seguem com a avalição que a aceleração recente da inflação reflete um movimento temporário. Avaliamos que, nos próximos meses, o Fed deverá adotar uma estratégia de redução gradual da compra de ativos.

Por fim, o Banco Central Europeu (BCE) revisou a sua estratégia de política monetária. A principal modificação ficou por conta da revisão da meta de inflação. Em decisão esperada, o BCE abandonou a meta que almejava a inflação “abaixo, mas próxima de 2%”. A partir das próximas reuniões, a meta de médio prazo permanecerá em 2%, mas sendo entendida como o centro da meta de forma simétrica. Nessa revisão, o BCE afirmou que em períodos de consistente desvio negativo da inflação, pode ser necessária uma ação de política monetária mais agressiva que permita transitoriamente a inflação superar, de forma moderada, a meta de 2%. Apesar da recuperação da atividade nos próximos meses, avaliamos que dada a resistência da inflação a subir de forma consistente, os estímulos monetários devem ser mantidos por período prolongado na região.

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