CREDITO E MERCADO NOSSA VISÃO – 05/07/2021 06/07/2021

NOSSA VISÃO – 05/07/2021

RETROSPECTIVA

Semana de muita volatilidade no mercado brasileiro, mesmo com o fechamento positivo no mês de junho, de 0,45%, consolidando alta de 6,24% no primeiro semestre e alta de 8,71% no primeiro trimestre, o atual momento tem nos afastado da máxima histórica.

Os principais pontos que tem ocasionado o clima de aversão ao risco nos investidores estão relacionados a CPI da covid-19, a reforma tributária e a pressão inflacionaria ocasionada pelo agravamento da crise hídrica, pressionado o aumento da energia elétrica.

Em relação a CPI, os pontos levantados são em relação a uma possível compra fora dos padrões aceitos da vacina indiana Covaxin, e uma possível prevaricação do Presidente Bolsonaro tem sido o ruído político da vez a influenciar negativamente os mercados.

A segunda parte do texto da reforma tributária, por sua vez, tem gerado muita discussão nos mercados, devido a mesma sinalizar a tributação dos dividendos em 20%, que pode ocasionar uma perda de atratividade por parte do investidor estrangeiro.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, defende a proposta indicando que essa seria a maneira correta para tributar, afirmando durante um evento promovido por Abílio Diniz que “Não vamos fazer nada precipitado, que mutile, que espante o brasileiro do Brasil”.

Em relação a energia elétrica, de acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em junho começa a vigorar o reajuste na bandeira tarifaria, iniciando a bandeira vermelha patamar 2, a cobrança passou de R$ 6,24 para R$ 9,49 a cada 100 kWh consumidos, uma alta de 52%.

Devido a isso, um dos principais pontos de alerta para a recuperação econômica continua pressionado, com a inflação acelerada, as políticas econômicas a serem utilizadas para o controle efetivo, atrasam a retomada, trazendo volatilidade para os mercados, devido a preocupação de desaceleração em relação ao atual momento econômico.

Com relação ao câmbio, a semana registrou a maior alta desde março, cotado a R$ 5,05, alta de 0,16%, aliado as tensões políticas nacionais, a taxa de desemprego divulgada pelo Estados Unidos, que subiu para 5,9%, que reduziu a expectativa de elevação de juros por lá, contribuiu para a valorização do Dólar.

Entretanto, o Real valorizou 4,15% no primeiro semestre, 8,43% no segundo trimestre, 4,81% no mês de junho, seguindo o ambiente externo favorável e a diferença entre os juros domésticos e externos.

Em relação ao exterior, o principal ponto de atenção segue sendo a evolução da inflação e a política monetária norte americana, que tende a balizar as principais economias do mundo, o que se discute é o início da elevação dos juros por lá.

O ponto de atenção em âmbito global durante a semana, foi mais uma vez em relação a evolução da pandemia, ainda que a vacinação esteja em aceleração na maioria dos países desenvolvidos, se monitora a evolução da variante delta, que poderia atrapalhar a retomada econômica.

RELATÓRIO FOCUS

Para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), a projeção subiu, de 5,97% para 6,07% em 2021. Para 2022, a previsão para o IPCA caiu de 3,78% para 3,77%. Para 2023, as estimativas ficaram em 3,25% e o mesmo número para 2024.

A projeção para o PIB (Produto Interno Bruto) subiu mais uma semana, de 5,05% para a 5,18% em 2021. Para 2022, a estimativa caiu de 2,11% para 2,10%. Para 2023 e 2024, as projeções ficaram em 2,50%.

Para a taxa de câmbio, a estimativa saiu de R$5,10 para R$5,04 em 2021. Para 2022, a taxa também ficou em R$ 5,20. Para 2023, a projeção ficou em R$5,05. Em 2024, o valor também ficou em R$5,00.

Para a taxa Selic, os analistas mantiveram as estimativas em 6,50% em 2021. A estimativa saiu 6,50% para 6,75% em 2022. Em 2023 e 2024, a projeção foi mantida em 6,50%.

PERSPECTIVA

Observaremos durante a semana a ata da reunião do Federal Reserve, que poderá alimentar mais as discussões em relação política monetária em todo o mundo, no Brasil, haverá nesta semana a divulgação do IPCA do mês de junho, as vendas no varejo de maio e o PMI Composto de junho.

Um ponto de atenção é em relação a crise hídrica que passamos, principalmente devido a sua contribuição para a aceleração da inflação, uma vez que os reservatórios estão em baixa, e devido ao seu peso de importância não estar sendo contabilizado nas previsões do PIB, podendo ser um ponto de susto para os próximos períodos.

As expectativas positivas em relação ao Brasil, passam por um processo de imunização mais eficiente.

Teremos agora que acompanhar as decisões do Bancos Centrais em relação a política monetária, que indica seguir com medidas contracionistas, tendo em vista o plano de vacinação em prática, a aceleração da inflação e os estímulos que seguem sendo despejados na economia.

Os dados indicam uma pressão no curto prazo nos preços ao consumidor amplo e isto pode levar o Banco Central a intensificar as discussões sobre o ritmo das reformas.

Podendo se esperar mais mudanças na taxa de juros no futuro próximo, como já é adiantado no relatório semanal do Banco central.

A partir disso, teremos que avaliar o andamento de reformas e em qual intensidade será elaborada, agora com a Câmara e Senado definido.

Devemos observar também o processo de imunização da população brasileira com novas vacinas podendo entrar no plano inicial e agora com possível produção nacional com a ButantanVac.

A preocupação com o quadro fiscal, o grave endividamento e teto de gastos, restando apenas esperar que o acordado seja respeitado, caso o desajuste fiscal aconteça, além de gerar desconfiança dos investidores estrangeiros, geraria um aumento inesperado e brusco na taxa de juros, por esse motivo, e do risco Brasil, fato que seria prejudicial para a o momento atual da economia.

Situação que o Brasil vem tentando evitar ao longo dos últimos anos, reconquistar os investidores estrangeiros, a partir de um quadro fiscal mais bem elaborado, uma agenda de reformas estruturais, que ocasionalmente levaria o Brasil a um controle maior sobre as receitas e gastos governamentais.

Apesar de todas as oscilações de mercado, as expectativas seguem sendo o plano de vacinação contra a Covid-19 e toda a pauta de reforma que segue sem definição pelo governo.

O mais recomendado para o atual momento é a cautela ao assumir posições mais arriscadas no curto prazo, a volatilidade nos mercados deve se manter sem ainda a desenhar um horizonte claro, em razão principalmente pelo nosso cenário político.

Mantemos nossa recomendação de adotar cautela nos investimentos e acompanhamento diário dos mercados e estratégias. Mantemos a sugestão para que os recursos necessários para fazer frente às despesas correntes sejam resgatados dos investimentos menos voláteis (CDI, IRF-M1, IDkA IPCA 2A). Para o IMA-B que é formado por títulos públicos indexados à inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que são as NTN-Bs (Notas do Tesouro Nacional – Série B ou Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais), não estamos recomendando o aporte no segmento, com a estratégia de alocação em 5%, sendo indicado para os RPPS que possuem porcentagem igual ou maior, aos que possuírem porcentagem inferior a 5%, recomendamos a não movimentação no segmento. Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.

* Aos clientes que investem em Fundos de Participações e Fundos Imobiliários em percentual superior a 2,5% em cada, reduzir a exposição aos Fundos de Ações na proporção desse excesso.

Indicadores Diário – 02/07/2021

Índices de Referência – Maio/2021

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