SÍNTESE ECONÔMICA DE JUNHO

SÍNTESE ECONÔMICA DE JUNHO

BRASIL: Copom eleva Selic em 75 pb e sinaliza elevação da taxa de juros para o patamar neutro

MUNDO: Projeções do Fed indicam altas de juros antes do esperado

O Banco Central elevou a  taxa básica de juros em 75 pb. Em decisão unânime, a autoridade monetária decidiu aumentar a taxa Selic de 3,50% para 4,25%, alcançando o patamar pré-pandemia. O movimento marca a continuidade do processo de ajuste da taxa de juros, confirmando as expectativas do mercado e a alta sinalizada em sua última reunião.

No comunicado, o Copom eliminou a referência a uma sinalização de normalização parcial, indicando ser apropriado elevar a taxa de juros para patamar considerado neutro para mitigar a disseminação dos choques sobre a inflação. Na avaliação sobre o cenário, o Copom admite que a evolução recente da atividade econômica tem surpreendido positivamente, com redução significativa dos riscos para a recuperação econômica. A pressão inflacionária, por sua vez,  revela-se mais persistente que o esperado, em especial entre os bens industriais, segundo o Banco Central.

Para a próxima reunião, o Banco Central indicou um aperto monetário de mesma magnitude. Entretanto, o comunicado deixou em aberto uma possível alta de 100 pb, caso ocorra uma deterioração das expectativas de inflação para o horizonte relevante (2022). As dificuldades para a normalização das condições de oferta e a resiliência da demanda contribuem para manter a inflação elevada no curto prazo, enquanto o patamar mais valorizado do câmbio pode gerar algum alívio. Vale mencionar que a ata da reunião revelou que o comitê considerou a possibilidade de alta de juros mais intensa do que 75 pb já na reunião de junho.

Avaliamos que a inclusão da possibilidade de acelerar o ritmo de aperto monetário mostra uma avaliação assimétrica, por parte do Copom, a respeito do balanço de riscos da inflação no sentido de assegurar a sua convergência para a meta no horizonte relevante.  Com isso, alteramos nossa trajetória esperado de taxa juros. Na reunião de agosto, o Copom deverá elevar a taxa de juros em 100 pb, ao invés de 75 pb anteriormente contemplados. Nossa projeção para o final do atual ciclo de política monetária foi revisada de 6,50% para 7,00%.

Em termos de dados econômicos,  a prévia da inflação ao consumidor (IPCA-15) variou 0,83%. A inflação acumulada em 12 meses alcançou 8,1%. Em termos de núcleos, que são métricas que excluem ou suavizam itens com inflação volátil, a leitura de junho mostrou avanço em linha com o esperado. A média dos núcleos segue acelerando no acumulado em doze meses, subindo de  4,1% para 4,8% na passagem do mês.  Ao contrário das últimas leituras, que contavam com pressões concentradas em bens industriais, o  resultado de junho confirma o realinhamento de preços de serviços com a reabertura da economia. O cenário inflacionário para os próximos meses segue pressionado. Já o Índice do Banco Central de Atividade (IBC-Br) avançou 0,4% na margem em abril. Na comparação interanual, o índice teve alta de 15,9%. O IBC-Br se situa 0,6% acima do patamar pré-pandemia (média de janeiro e fevereiro de 2020). Em relação ao trimestre anterior, o indicador aponta queda de 0,1%. Com o avanço da mobilidade, a atividade deverá acelerar nos próximos meses, encerrando o ano com crescimento de 5,3%.

Nos EUA, o Fed manteve a taxa de juros entre 0% e 0,25% e sinalizou a possibilidade de iniciar a discussão sobre a redução das compras de ativos nos próximos meses. O banco central  norte-americano reafirmou que manterá o patamar da taxa de juros e o programa de US$120 bilhões mensais em compra de ativos, até o avanço substancial em direção ao alcance das metas de pleno emprego e da meta de inflação. No comunicado, o Fed manteve a avaliação que a inflação avançou, mas em decorrência de fatores transitórios. Na entrevista após a reunião, o presidente do Fed, Jerome Powell, revelou que a recuperação econômica segue incompleta, e que a discussão sobre a retirada de estímulos ainda requer que se observe por um período maior o comportamento da inflação e da atividade.

A principal novidade da reunião do Fed, no entanto, ficou por conta da revisão das projeções, incluindo a possibilidade de antecipação da alta de juros. Para a inflação, a projeção do núcleo (exclui itens voláteis) do PCE em 2021 subiu de 2,2%  em março para 3%. Para 2022, o indicador passou de 2% para 2,1%, com mesma variação esperada para 2023. As revisões para emprego e PIB também foram mais otimistas. Corroborando esse cenário, a mediana dos membros do comitê para os juros passou a considerar duas altas em 2023. Em março a expectativa era de estabilidade por todo o horizonte. Para 2022, o comitê projeta manutenção dos juros, entretanto, mais dois membros se juntaram aos quatro membros que na reunião de março projetavam alta de juros. Essa reunião marca o primeiro passo do Fed no sentido de sinalizar a redução dos estímulos nos próximos meses. Avaliamos que esse debate se tornará mais intenso a partir do 3º trimestre, com potencial redução das compras de ativos a partir do final do ano ou início de 2022.

Na China, os dados de atividade frustraram as expectativas novamente em maio. Na comparação interanual, a produção industrial avançou 8,8%, abaixo do consenso de mercado (9,2%). Já as vendas no varejo tiveram expansão de 12,4%, também abaixo da expectativa (14%), enquanto os investimentos em ativos fixos (FAI) expandiram 15,4%, ante expectativa de 17,0%. De uma maneira geral, mesmo com a perspectiva de que o governo remova gradualmente os estímulos adotados em 2020, a atividade econômica segue condizente com a meta de crescimento de pelo menos 6% estabelecida para esse ano. Nossa expectativa é de crescimento de 8,5%, embora as recentes frustrações insiram viés de baixa para a projeção, em especial diante do desempenho aquém do esperado do consumo, mesmo com o aumento da mobilidade.

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