SÍNTESE ECONÔMICA DE ABRIL

SÍNTESE ECONÔMICA DE ABRIL

BRASIL: Prévia da inflação de abril alcança 12% no acumulado de 12 meses

MUNDO: Ata do FOMC reforça o cenário de ajuste acelerado da política monetária

Em abril, a prévia da inflação ao consumidor (IPCA-15) variou 1,73%, ante avanço de 0,95% em março. O resultado veio abaixo da nossa projeção (1,80%) e da expectativa do mercado (1,83%). A inflação acumulada em 12 meses apresentou aceleração, de 10,79% no IPCA-15 de março para 12,03% em abril. Com relação aos núcleos, que são métricas que excluem ou suavizam itens voláteis, a média anualizada de três meses com ajuste sazonal voltou a avançar, de 10,48% na prévia de março para 11,18%, refletindo a maior pressão em bens industriais. Em 12 meses, a média dos núcleos alcançou 9,21%. De forma geral, apesar da surpresa baixista, a variação de alimentação no domicílio (3,0%) e itens de preços administrados (3,3%) seguem em patamar elevado, contribuindo para revisões altista nas projeções de curto prazo. Ao mesmo tempo, os núcleos apresentaram variação na margem em linha ou levemente abaixo do esperado, levando a revisões menos expressivas para as projeções. Por ora, nossa expectativa é que o IPCA encerre 2022 com variação de 7,7%.

Em termos de atividade, os dados de fevereiro mostram uma demanda ainda forte no primeiro trimestre deste ano. O IBC-Br (índice de Atividade Econômica do Banco Central) subiu 0,34% no mês, puxado pelas vendas no varejo no conceito restrito que avançaram 1,1% na margem, enquanto o volume total de serviços teve recuo de 0,2% na margem em fevereiro. Pelo lado da indústria, a produção avançou 0,7% na margem em fevereiro, que pode ser atribuída em maior parte à indústria extrativa (5,3% na margem), que se recuperou após a queda de 5,1% em janeiro. Em linhas gerais, o setor de bens ligados à renda tem sido influenciado positivamente pelos reajustes salariais do início deste ano e pela utilização da poupança acumulada das famílias. Já o setor de serviços, surpresa negativa no mês, deverá contar com o rebalanceamento do consumo entre bens e serviços nos próximos meses.

Nos EUA, o Fed divulgou a ata da reunião de março, na qual iniciou o processo de alta de juros. A ata revelou que apesar da escolha pelo aumento de 25 pb, muitos membros defenderam uma alta de 50 pb, mas na decisão final pesou a incerteza relacionada ao contexto da invasão da Rússia na Ucrânia. A principal novidade do documento ficou por conta dos detalhes acerca da redução do balanço de ativos. Os membros concordaram em limitar a redução passiva do balanço em US$ 95 bilhões ao mês , sendo que esse limite será alcançado de forma faseada em três meses e deverá ter início em maio. Sobre o cenário econômico, entre os membros persiste a avaliação de um quadro de inflação disseminada e mercado de trabalho muito apertado. Segundo o comitê, a inflação excede significativamente a meta e o balanço de riscos tem viés de alta, como a continuidade do rompimento das cadeias globais e a alta de preços de energia. O cenário revelado na ata do Fed reforça a aceleração no ritmo de alta da taxa de juros para 50 pb na reunião de maio.

Na Zona do Euro, o Banco Central Europeu (BCE) confirmou que pretende concluir o programa de compra de ativos no terceiro trimestre, apesar da incerteza dos impactos do conflito entre Rússia e Ucrânia. De acordo com o BCE a taxa de juros, será mantida em       -0,5%, a taxa de empréstimo em 0,25% e a taxa de refinanciamento em 0%. Sem grandes modificações, o comunicado também manteve a sinalização que ajustes na taxa de juros deverão ocorrer algum tempo após o fim do programa de compras de ativos e serão graduais. Em sua entrevista após a reunião, a presidente do BCE, Christine Lagarde, reforçou a preocupação com o cenário de inflação na região ao ressaltar o viés altista para os preços, a despeito da expectativa de perda de força da atividade nos próximos meses. A comunicação do BCE está em linha com a expectativa de normalização da política monetária, com potencial início do aumento de juros no final desse ano.

Os dados de atividade da China do primeiro trimestre mostraram sinais majoritariamente positivos, embora ainda não reflitam as novas medidas de restrição em sua totalidade. O PIB do 1º trimestre teve alta de 4,8% na comparação interanual, acima das expectativas do mercado (4,2%). Na margem, o resultado significa avanço de 1,3% na série com ajuste sazonal, desaceleração em relação à alta de 1,5% no 4º trimestre de 2021. Na comparação interanual, a produção industrial teve alta de 5,0%, acima do esperado, mesmo com grande contribuição negativa da fabricação de veículos refletindo lockdowns em algumas regiões industriais. Da mesma forma, os investimentos em ativos fixos (FAI) se expandiram 7,2%, puxados por investimentos em infraestrutura. Por sua vez, as vendas no varejo tiveram queda de 3,5%. Ademais, os dados de setor imobiliário indicaram demanda mais fraca e a taxa de desemprego teve elevação em março. De maneira geral, os dados têm sancionado uma visão de consumo mais fraco por conta das restrições, mas efeitos ainda incipientes sobre as cadeiras de produção. Com a continuidade da política de “Covid zero” no país, a perspectiva de crescimento da China para este ano tem viés de baixa, ainda que seja parcialmente contrabalançado pelos sinais de ampliação dos estímulos de política econômica.

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