NOSSA VISÃO CREDITO E MERCADO

NOSSA VISÃO 21/09/2020
RETROSPECTIVA
O destaque da semana ficou por conta das decisões dos Bancos Centrais espalhados pelo mundo, e com isso o entendimento de que ainda não há nenhuma mudança drástica após a enorme flexibilização monetária em função da pandemia do novo corona-vírus.
Ao ponto que as eleições dos Estados Unidos se aproximam, as preocupações do mercado se elevam, o início dos debates presidenciais está marcado para a próxima terça-feira (29), e como já é de praxe, pontos importantes serão levantados e as discussões serão acirradas, elevando a tensão do cenário político.
Em relação as políticas monetárias dos Bancos Centrais em diversos países do mundo, Indonésia, Rússia, África do Sul mantiveram a taxa de juros inalterada. Dentre os principais países, o BOJ (Banco Central japonês) também manteve a política monetária super expansionista estabilizada e melhorou a percepção de recuperação da economia.
Na Ásia, o destaque continua em torno dos mesmos assuntos relatados nas semanas anteriores, tivemos no Japão, a renúncia formal de Shinzo Abe de primeiro-ministro por motivo de saúde, e a nomeação de Yoshihide Suga para seu lugar, Suga deve manter a linha de pensamento de Shinzo. Porém, Suga quer atuar fortemente no combate a pandemia e prometeu recuperação econômica.
Ainda no Japão, o índice de preços ao consumidor, em agosto, foi de 102,0, alta de 0,2% em relação ao ano anterior, com ajuste sazonal, e queda de 0,1% em relação ao mês anterior em uma base com ajuste sazonal. Em julho, o índice subiu 0,4%.
Na Inglaterra, o BOE (Bank of England), realizou reuniões para discutir política monetária, e também manteve-se inalterada a taxa de juros por lá, há rumores em que os membros discutiram a implementação de juros negativo, mas que a adoção não seria para o atual cenário, além do reforço no QE (quantitative easing) de mais 100 bilhões de libras.
Na Europa, em julho de 2020, a balança corrente da Zona do Euro registrou um excedente de € 17 bilhões, 4 bilhões a menos em comparação a junho de 2020.
Entretanto, a decisão que mais movimentou com os mercados foi a do FED, ao manter inalterada a política monetária, com Jerome Powell seguindo a ideia inflação média na meta de 2,0%, podendo andar por um bom tempo acima disso, pelo passado longo que ficou abaixo.
A decisão traz maior flexibilidade para agir em função do emprego e crescimento econômico, mesmo assim, o humor dos investidores, indica que o país irá precisar de mais estímulos para recuperação mais acelerada.
Porém, a percepção de muitos no mundo e principalmente nos Estados Unidos, é de que a economia começa a mostrar sinais de crescimento decrescente na recuperação, com indicadores divulgados abaixo do previsto.
Por aqui, as discussões seguem envolvendo o presidente Jair Bolsonaro e a sua equipe econômica, em uma constante por mudanças, a sensação que fica é que o Congresso segue estagnado em termos de decisões cruciais para colocar o quadro fiscal do país em ordem.
Além disso, o presidente Bolsonaro não gostou nada da proposta da área econômica de congelar o salário mínimo e aposentadorias para viabilizar o Programa Renda Brasil, tendo até demonstrado a sua irritação em uma publicação na internet. Tudo isso foi interpretado como nova baixa no protagonismo de Paulo Guedes, e foram especuladas mais baixas em seu plantel.

RELATÓRIO FOCUS
De acordo com o relatório divulgado nesta segunda-feira, dia 21, as informações vieram em linha com as expectativas de mercado, relatando algumas diferenças com o relatório anterior, mas sem surpresas.
Para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), as projeções passaram de 1,94% para 1,99%. Para 2021, a previsão para o IPCA ficou em 3,01%. Para 2022, as estimativas ficaram em 3,50%. O IPCA ficou em 3,25% nas projeções para o ano de 2023.
A projeção para a PIB (Produto Interno Bruto) passou de -5,11% para – 5,05% para este ano. Para 2021, a estimativa permaneceu em 3,50%. As projeções ficaram em 2,50% para 2022 e 23.
A previsão do mercado financeiro para a cotação do dólar ficou em R$5,25 este ano. Para 2021, a projeção ficou em R$5,00. Já para 2022, a projeção ficou em R$4,90 e ficou também em R$4,90 para 2023.
A projeção para a taxa básica de juros, a Selic, ficou em 2,00% para 2020. Para 2021, os analistas também deixaram as projeções em 2,50%. As projeções ficaram em 4,50% em 2022 e saiu de 5,50% para 5,63% em 2023.

PERSPECTIVA
O cenário é de muitas incertezas, principalmente com relação ao curto prazo, tanto nos mercados de risco do exterior, quanto os nossos. Além disso, encontramos alta volatilidade comportamento do dólar e petróleo.
Além disso, o maior problema está relacionado à desaceleração da recuperação em alguns dos principais países, ao exemplo dos EUA, dados os indicadores mais recentes.
A constante da contaminação pelo covid-19 assusta os líderes de diferentes países e indica que nova rodada de estímulo fiscal deve ser utilizada.
Porém, neste momento, os bancos centrais optaram pela manutenção na política monetária, ao mesmo tempo em que pacotes fiscais estão em pauta nos governos e parlamento, com o melhor exemplo disso nos EUA.
Entretanto, ao que tudo indica os juros irão permanecer baixos por muito tempo e a liquidez podendo aumentar com os pacotes fiscais, com isso a busca por ativos reais seguirá firme e quedas nos mercados devem ser aproveitadas para formação de posições sobre a ótica de longo prazo.
Aqui, além de sermos influenciados pela cenário externo, ainda temos que nos preocupar com o risco político advindo de uma visão mais populista, com as eleições de final do ano paralisando o Congresso em temas e votações importantes para ordenar o país e disputas internas entre ministros enfraquecendo o governo, reduzindo a chance de aportes significativos de recursos.
Mas, a preocupação dos investidores e agentes do mercado, seguem voltadas para os números ruins das contas públicas, endividamento, orçamento 2021 e os possíveis cortes na Educação, programas sociais e agricultura para viabilizar obras do Pró-Brasil.
Ricardo Barros, líder do Bolsonaro na câmara, disse que o Renda Brasil depende da desvinculação e desindexação do orçamento, disse também que se não for aprovado novo imposto não haverá desoneração da folha de pagamentos.
Um possível afrouxamento dos gastos, ou gastos não previstos no orçamento aprovado, além de gerar desconfiança dos investidores estrangeiros, geraria um aumento na taxa de juros e isso não seria bom para o estado da economia atual.
O mais recomendado para o atual momento é a cautela ao assumir posições mais arriscadas no curto prazo, a volatilidade nos mercados deve se manter sem ainda a desenhar um horizonte claro, em razão principalmente pelo nosso cenário político.
Mantemos nossa recomendação de adotar cautela nos investimentos e acompanhamento diário dos mercados e estratégias. Mantemos a sugestão para que os recursos necessários para fazer frente às despesas correntes sejam resgatados dos investimentos menos voláteis (CDI, IRF-M1, IDkA IPCA 2A). Os demais recursos mantenham-nos em “quarentena” esperando um melhor momento para realocar. Tomar decisões precipitadas enseja realizar uma perda decorrente da desvalorização dos investimentos sem possibilidades de recuperação na retomada dos mercados. Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.

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