INFORME SEMANAL BRADESCO

INFORME SEMANAL E PERSPECTIVAS

BRASIL: IPCA mostra inflação mais pressionada em fevereiro

MUNDO: BCE mantém política de juros e compra de ativos

 

IPCA acelerou mais que o esperado em fevereiro. A inflação ao consumidor (IPCA) no segundo mês do ano variou 0,86%, ficando acima da nossa projeção e da mediana do mercado (0,70% e 0,72%, respectivamente). Em relação à nossa projeção, grande parte da surpresa ficou concentrada em dois subgrupos: alimentação no domicílio e combustíveis. O primeiro mostrou uma inflação recuando menos do que o esperado, enquanto o segundo teve forte aceleração no período, refletindo os recentes reajustes no preço da gasolina na refinaria. Outros destaques de alta dessa divulgação foram mobiliário e vestuário. Por outro lado, vimos um arrefecimento na inflação do subgrupo de alimentação fora do domicílio, provavelmente refletindo a dificuldade de restaurantes e outros serviços de alimentação de repassar a alta de custos com alimentos para o consumidor final, tendo em vista o recente aperto nas restrições de mobilidade.

De uma maneira geral, o cenário inflacionário segue desfavorável. Prova disso é a aceleração das medidas de núcleo, que são métricas que excluem ou suavizam a variação de preços de itens voláteis, e os riscos assimétricos de alta para os próximos meses. Dentre esses riscos, vale destacar a alta do preço de commodities e a elevação de custos na indústria, que podem gerar mais pressão inflacionária ao consumidor. Esperamos que a inflação acumulada em 12 meses, hoje em 5,2%, suba para próximo de 7,5% até meados do ano e arrefeça a partir do segundo semestre do ano.

O volume total de serviços prestados avançou 0,6% na margem em janeiro. Na comparação anual, a variação foi de –4,7%, resultado abaixo de nossa projeção (-4,2%), mas superior à mediana do mercado (-4,9%). O nível do volume total de serviços ainda se situa 4,2% abaixo do nível pré-crise. Considerando a abertura setorial, a alta na margem foi devida a serviços de transporte, armazenagem e correio (+3,1%) e serviços profissionais, administrativos e complementares (+3,4%), setores influenciados pelo crescimento da atividade industrial no mês. Por sua vez, a maior contribuição negativa veio de outros serviços (-9,2%), setor que contempla, dentre outros, os serviços financeiros e seguros. Os serviços prestados às famílias, mais afetados pela pandemia por abrangerem serviços não essenciais, como hospedagem e alimentação, tiveram novo recuo (-1,5%), em parte pelo novo aumento de restrições de mobilidade no mês. Nesse setor, o nível de atividade ainda se situa 29,1% abaixo do pré-crise. Em resumo, o desempenho do setor de serviços ao longo do ano segue dependente das restrições de mobilidade, e, consequentemente, da própria evolução da epidemia e vacinação.

Por sua vez, as vendas no varejo no conceito restrito apresentaram queda de 0,2% em janeiro frente a dezembro. O resultado ficou abaixo de nossa projeção (+0,2%) e do consenso de mercado (0,0%). Dentre os componentes, destaque para as quedas em tecido, vestuário e calçados (-8,2%), hiper e supermercados (-1,6%) e móveis e eletrodomésticos (-5,9%). Os recuos pronunciados nesses setores refletem tanto a interrupção do pagamento do auxílio emergencial como um contexto de restrições de mobilidade adicionais em virtude do avanço da pandemia. O varejo ampliado, que inclui todos os componentes do conceito restrito e adiciona as vendas de automóveis e materiais de construção, apresentou queda de 2,1% na margem em janeiro, muito abaixo da nossa projeção (+1,2%) e da mediana do mercado (+0,2%). As vendas de automóveis tiveram queda de 3,6% no mês e foram apenas parcialmente compensadas pelo avanço de 0,3% de materiais de construção. Com o resultado de janeiro, tanto o volume de vendas no varejo restrito como no ampliado voltaram a se situar abaixo do patamar pré-crise. A evolução do comércio nos próximos meses será influenciada, de um lado, pela nova rodada prevista de auxílio emergencial, e, de outro, por mais restrições à circulação.

O Banco Central Europeu (BCE) manteve a política de juros e de compra de ativos. O BCE manteve o patamar da taxa de depósito em -0,5%, da taxa de refinanciamento em 0,0% e da taxa de empréstimo em 0,25%. O Programa Pandêmico de Compras Emergenciais (PEPP na sigla em inglês) foi mantido em € 1,85 trilhão em compra de ativos, com horizonte de compras até março de 2022 ou até o BCE julgar que a crise atual tenha se encerrado. Os demais programas de estímulos também não sofreram alteração. A novidade ficou por conta do comprometimento em aumentar as compras de ativos nos próximos meses e favorecer as condições financeiras. Em relação ao PEPP, atualmente o BCE compra € 60 bilhões mensais. Nesse sentido, a expectativa é que ele aumente suas compras para € 80 bilhões ao mês. Na entrevista após a reunião, a presidente do BCE, Christine Lagarde, reconheceu que os riscos têm se tornado mais balanceados, ante o viés mais negativo na reunião de janeiro. Lagarde deixou claro que o BCE segue determinado a manter o grau necessário de acomodação da política monetária. Avaliamos que as medidas de restrição terão impacto menor sobre a atividade em relação ao que foi observado na primeira onda. Ainda assim, os estímulos serão mantidos por período prolongado.

Nos EUA, a inflação apresentou surpresa baixista em fevereiro. No mês, o índice de preços ao consumidor (CPI) teve alta de 0,4% na margem, acumulando alta de 1,7% na variação interanual, ante 1,4% em janeiro. Os números ficaram abaixo da expectativa do mercado. Já o núcleo da inflação (exclui itens voláteis) desacelerou de forma inesperada de 1,4% para 1,3% impactado especialmente por vestuário e transportes. No caso de serviços, o destaque foi a alta em recreação, após dois meses de deflação. De modo geral, a inflação nos EUA segue bem comportada e ainda distante de resultar em preocupações por parte do Fed.

Na China, a inflação ao consumidor (CPI) apresentou deflação em fevereiro. No mês, a taxa acumulada em doze meses foi de -0,2%, ante -0,3% em janeiro, influenciada pelos preços de alimentos. Por sua vez, o núcleo da inflação (exclui itens voláteis) passou de -0,3% para 0,0%. Os números ficaram abaixo da expectativa do mercado. A inflação ao produtor (PPI), no entanto, acelerou de 0,3% em janeiro para 1,7% em fevereiro, pressionada sobretudo pela alta dos preços de commodities. O cenário de inflação de consumidor ainda controlado dá margem ao governo chinês orquestrar uma retirada gradual dos estímulos adotados em 2020.

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