ENFOQUE MACRO | INFORME SEMANAL E PERSPECTIVAS

NFOQUE MACRO | INFORME SEMANAL E PERSPECTIVAS

BRASIL: IPCA-15 atingiu 12,04% em 12 meses até junho

MUNDO: Índices de confiança (PMI) apontam desaceleração da atividade

 

No cenário internacional, o destaque da semana foram os dados prévios dos índices de confiança das empresas (PMIs). De forma geral, os indicadores tanto para a Zona do Euro quanto para os Estados Unidos mostraram leituras piores para a atividade global em junho, elevando o risco de uma desaceleração mais pronunciada nos próximos meses. Em termos de política monetária, a semana foi marcada por alta de juros por bancos centrais em diversas economias, com destaque para o Banco Central do México, que elevou a taxa de juros em 75pb (de 7,00% para 7,75%), e para o Banco Central da Noruega, que elevou a taxa de juros de 0,75% para 1,25% acima da expectativa de alta de 25 pb. Ademais, dirigentes do Fed sinalizaram novo aumento de 75 pb na reunião de julho, enquanto Jerome Powell reforçou que a política monetária deverá migrar para patamar modestamente restritivo para conter as pressões inflacionárias. No Brasil, as atenções do mercado se voltaram para os dados prévios de inflação (IPCA-15) de junho e para a discussão em relação a novas medidas de política fiscal.

Na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na qual a Selic foi elevada de 12,75% para 13,25%, os membros reforçaram que o ciclo de aperto da taxa de juros deve contar com mais um aumento de igual ou de menor magnitude na próxima reunião. A ata manteve a preocupação com o ambiente externo, em especial com a inflação elevada e persistente, mas adicionou como preocupação o risco de uma desaceleração da atividade global mais acentuada em função das tensões geopolíticas, aperto da política monetária e piora das condições financeiras. Destaca inclusive as recentes revisões baixistas para o crescimento nesse e no próximo ano. Internamente, o desempenho melhor do que o esperado da atividade reflete a normalização da economia após a pandemia, com a retomada do setor de serviços e a utilização do excesso de poupança. A expectativa do comitê, no entanto, é de desaceleração da atividade nos próximos meses em decorrência do efeito defasado da política monetária. A respeito da inflação, os membros reconheceram que o quadro inflacionário segue mais persistente que o esperado. Acerca da implementação da política monetária, a ata revelou que para desacelerar a inflação para o redor da meta no horizonte relevante, a taxa de juros terminal deverá se encontrar acima do cenário de referência e ser mantida em território significativamente contracionista por um período mais prolongado. A estratégia de finalizar o ciclo de alta em 13,25% e sinalizar a manutenção nesse patamar por um período prolongado foi debatida, mas descartada, pois não asseguraria a convergência da inflação para o redor da meta no horizonte relevante. Nosso cenário contempla nova alta de 50 pb na reunião de agosto, encerrando o ciclo em 13,75%.

Em junho, a prévia da inflação ao consumidor (IPCA-15) variou 0,69%, ante avanço de 0,59% em maio. O resultado veio abaixo da nossa projeção (0,73%), mas ligeiramente acima da mediana do mercado (0,68%). A inflação acumulada em 12 meses recuou de 12,2% para 12,0%. Dentre as principais contribuições altistas, destaque para planos de saúde (2,99%), que apresentou forte avanço devido a autorização de reajustes pela Agência Nacional de Saúde (ANS). Em relação ao núcleo de bens industriais, a principal alta ficou por conta de automóvel novo (1,46%) e vestuário (1,77%), que atingiram 18,44% e 16,30% no acumulado em 12 meses, respectivamente. O núcleo de bens industriais segue em um patamar de aproximadamente 14% no acumulado de 12 meses, sem fortes sinais de desaceleração. Vale destacar que a categoria de bens duráveis vinha desacelerando consistentemente nas últimas leituras, mas voltou a acelerar com a alta em preços de veículos, ultrapassando 10% na média móvel de 3 meses dessazonalizada. Em serviços, a principal contribuição foi a aceleração do item passagem aérea, com avanço de 11,36%. Além disso, serviços subjacentes, voltou a acelerar, com variação de 0,85% na margem, acima da mediana de 0,7%, mas em linha com nossa expectativa de 0,9%. Com relação aos núcleos, que são métricas que excluem ou suavizam itens voláteis, a média móvel de três meses com ajuste sazonal dos cinco núcleos voltou a avançar, de 12,03% na prévia de maio para 12,44%, refletindo tanto a pressão em bens industriais quanto em serviços. Em 12 meses, a média dos núcleos alcançou 10,47%. Por fim, destacamos que alguns itens como são emprego doméstico (0,73%) e aluguel residencial (0,93%) devem colocar viés de alta para as próximas projeções. O primeiro pelo caráter inercial, que deve seguir acelerando nas próximas leituras em direção a uma taxa anualizada acima de 10%, enquanto aluguel residencial reflete diretamente no IPCA do mês de junho. Com o resultado, até este momento, mantemos nossa projeção de IPCA para 2022 em 7,6%.

A arrecadação federal apresentou resultado acima das expectativas de mercado em maio. A arrecadação total atingiu R$ 165,3 bilhões (ante expectativa de R$ 164,3 bilhões), o que representa alta de 4,13% em termos reais na comparação com 2021. No ano, a arrecadação somou R$ 908,5 bilhões e representa um avanço de 9,75% em termos reais ante 2021. Segundo a Receita Federal, sem considerar os efeitos não recorrentes, o avanço é de 6,13% na comparação do mesmo mês do ano anterior. Em linhas gerais, as altas menores em termos percentuais neste ano podem ser explicadas por uma base de comparação já bastante elevada no ano de 2021. Nesse sentido, a arrecadação federal apresenta desempenho bastante positivo no ano e pode ser explicada pelo desempenho acima do esperado da atividade e pela inflação em patamar elevado.

As prévias dos índices de confiança (PMI) de junho desapontaram as expectativas do mercado tanto na Zona do Euro quanto nos Estados Unidos. O PMI Composto da Zona do Euro, que incorpora as expectativas da indústria e dos serviços, recuou para 51,9 pontos em junho, ante 54,8 em maio, ainda indicando atividade em expansão (nível acima de 50 pontos). A composição revelou queda na margem da indústria, de 54,6 para 52,0 pontos em junho, enquanto o setor de serviços recuou de 56,1 para 52,8 pontos no mês. Nos EUA, o PMI Composto apresentou queda de 53,6 para 51,2 pontos em junho, com recuo da indústria de 57,0 para 52,4 pontos, e redução da confiança do setor de serviços de 53,4 para 51,6 pontos no mês. De modo geral, os resultados refletem a insegurança empresarial frente ao risco de desaceleração mais intensa da atividade nos próximos meses. Essa piora na avaliação do cenário decorre do aperto das condições financeiras, a queda da renda disponível, invasão da Ucrânia pela Rússia e a incerteza a respeito da evolução da atividade na China. Ainda que a perspectiva seja baixista para a atividade, a pressão de custos segue elevada.    

Na próxima semana

Na agenda doméstica, destaque para a divulgação dos dados fiscais pelo Tesouro na terça e quinta-feira e dados de emprego — PNAD Contínua e Caged — na quinta-feira. No cenário internacional, destaque para a divulgação da terceira revisão do PIB do 1º trimestre dos EUA na quarta-feira e para os dados prévios de inflação na Zona do Euro na sexta-feira.

 

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