ENFOQUE MACRO | INFORME SEMANAL E PERSPECTIVAS

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BRASIL: IPCA tem alta de 0,47% em maio, acumulando alta de 11,73% em 12 meses

MUNDO: Nos EUA, inflação ao consumidor supera a expectativa em maio

 

Nessa semana, no âmbito internacional, o destaque da semana ficou para a divulgação dos dados de inflação nos Estados Unidos e da decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE). A indicação de elevação da taxa de juros na próxima reunião na Zona do Euro não impediu uma depreciação do euro em relação ao dólar na semana. O CPI (índice de preços ao consumidor) apresentou elevação de 1,0% em maio, acima das expectativas do mercado que eram próximas a 0,7%. Com a deterioração do ambiente de inflação, houve abertura da curva de juros norte-americana e queda dos índices de ações. Ainda no âmbito internacional, prossegue a incerteza sobre a evolução da pandemia na China, com anúncio de novos fechamentos pontuais para testagem da população. No Brasil, o foco foram as discussões sobre medidas de alteração de tributos, com progresso na aprovação de projetos para desonerar diferentes segmentos, mas especialmente combustíveis. Houve surpresa para baixo no IPCA de maio, que registrou variação de 0,47%, abaixo da expectativa do mercado de 0,60%. As atenções na próxima semana se voltam para a decisão de política monetária nos EUA e Brasil.

A inflação medida pelo IPCA registrou variação de 0,47% em maio, acumulando 11,73% em 12 meses. O resultado ficou abaixo da mediana do mercado (0,60%) e da nossa projeção (0,55%). A principal contribuição de baixa foi registrada no grupo habitação, que teve desaceleração na margem (-1,7% ante -1,14% em abril) com grande influência do movimento de queda de energia elétrica residencial (-7,95% ante -6,27% em abril) com a alteração da bandeira tarifaria para verde. Além disso, Alimentação no Domicílio (0,43%) registrou desaceleração relevante em relação à leitura do mês anterior (2,59%), tendo como destaque a deflação de alimentos in natura (-5,12%). No sentido contrário, os grupos de vestuário (2,11%) e transportes (1,34%) pressionaram o indicador. Na abertura pelo setor de serviços, apesar do avanço de 0,85% ante 0,66% em abril, tanto serviços subjacentes quanto alimentação fora do domicílio apresentaram leve desaceleração na margem, se mantendo praticamente estáveis nos últimos três meses. Já o conjunto de bens industriais desacelerou de 1,21% para 1,04% em maio, com o núcleo de bens duráveis mantendo o ritmo de desaceleração das últimas leituras, na contramão de bens semiduráveis, que acumula alta de 15% nos últimos 12 meses. Os núcleos de inflação, que são métricas que excluem ou suavizam a variação de preços de itens voláteis, continuam bastante pressionados. A média dos núcleos dessazonalizados passou de 0,95% para 0,93% neste mês. Em 12 meses, o indicador atingiu 10,1%. Já o indicador de difusão que exclui alimentação e revela quantos itens apresentaram aumento de preços no mês, subiu de 77,5% em abril para 78,0% em abril.

O cenário de inflação é desafiador e ainda não apresenta sinais de inflexão. Em linhas gerais, apesar da surpresa baixista, os núcleos de inflação seguem em níveis elevados. Além disso, parte importante das surpresas em relação às nossas projeções ficou por conta de alimentação no domicílio e alguns itens mais voláteis. Desse modo, nossa projeção para 2022 permanece em 9,2%. Importante ressaltar que ainda não incluímos os efeitos das medidas de redução tributária em discussão no Congresso devido à incerteza quanto ao momento da implementação das novas regras. Atualmente, considerando que existe uma maior probabilidade de aprovação dos projetos, nosso cenário central indicaria inflação de 7,7% em 2022. Ao mesmo tempo, dado que parte da redução seria temporária, com retorno em janeiro de 2023, a tendência para a projeção de 2023 seria de 5,1%.

Em abril, as vendas no varejo no conceito restrito avançaram 0,9% na margem, acima das expectativas. Dentre os setores que compõem o varejo restrito, as maiores contribuições positivas vieram de móveis e eletrodomésticos (2,3% na margem) e tecidos, vestuário e calçados (1,7%), possivelmente influenciados pela liberação de recursos extraordinários do FGTS no mês. No entanto, vale notar que esses setores ainda se situam mais de 8% abaixo do patamar pré-crise. Outras altas vieram de artigos farmacêuticos (0,4%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (0,1%), setor que engloba lojas de departamentos, óticas, joalherias, artigos esportivos e brinquedos. A maior contribuição negativa veio de hiper e supermercados (-1,1%), influenciados pela alta de preços de alimentos. As demais quedas vieram de livros, jornais e revistas (-5,6%), equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-6,7%) e combustíveis e lubrificantes (-0,1%). O comércio ampliado, que inclui vendas de automóveis e material de construção, também registrou alta de 0,7% no mês e 1,5% na comparação anual, acima de nossa projeção e do mercado (ambas em 1,4%). Houve queda de 0,2% das vendas de veículos na margem e de 2,0% das vendas de materiais de construção (embora suas vendas ainda se situem 8,8% acima do nível pré-crise). Com o resultado, o volume de vendas no varejo restrito se situa 4,0% acima do patamar pré-crise, enquanto no conceito ampliado se situa 1,7% acima. Apesar de positivo, o resultado do comércio ampliado veio muito concentrado em alguns setores. Subsiste a tendência de menor demanda por bens decorrente do processo de substituição para o consumo de serviços, mas os dados continuam beneficiados por maior disponibilidade de renda. No entanto, esperamos esgotamento desse efeito nas próximas divulgações.

Dados de emprego formal (Caged) apresentaram criação de 196,97 mil vagas em abril. O resultado foi superior à nossa expectativa (130 mil) e à mediana de mercado (170 mil). Considerando a série com ajuste sazonal, o saldo foi positivo em 181 mil postos de trabalho, ante 179 mil em março, 224 mil em fevereiro e 170 mil em janeiro. Por trás do resultado de abril está o crescimento concomitante na margem de admissões (17,5%) e de demissões (19,5%). Com isso, o patamar de admissões supera em 39% o nível pré-crise. Na abertura por setor de atividade, todos os setores à exceção de agropecuária (-6,5 mil) tiveram resultado positivo, com destaque para serviços (84 mil, ante 91 mil em março), comércio (41 mil, ante 37 mil) e construção (18 mil, ante 32 mil). Os dados do Caged sugerem continuidade da recuperação do mercado de trabalho formal, em linha com o recuo da taxa de desemprego de abril observado nos dados da PNAD.

Nos EUA, o ambiente de inflação segue surpreendendo negativamente as expectativas de mercado. Em maio, a inflação ao consumidor (CPI) variou 1,0% na comparação mensal, acima da expectativa de mercado (0,7%). Já o núcleo da inflação, métrica que exclui a inflação com alimentos e energia e recebe mais atenção por parte das autoridades monetárias, avançou 0,6% no mês, ante expectativa de alta de 0,5%. Entre as principais pressões, destaque no mês para o avanço de 0,61% da inflação de aluguéis, que corresponde a um terço do CPI e apresentou aceleração de 6,73% na média móvel de 3 meses anualizada. Em seguida, os preços da energia subiram 34,6% em relação ao ano anterior (3,9% na margem). Em termos anuais, o índice cheio variou 8,6%, enquanto o núcleo do CPI teve variação de 6,0%, com alta de 5,2% em serviços e 8,5% na parcela de bens, distantes da meta estipulada pelo Fed.

Olhando para os próximos meses, o quadro inflacionário nos Estados Unidos ainda segue bastante desafiador, com um alto nível de incerteza. Pelo lado de serviços, o núcleo continua bem pressionado e sem sinais de arrefecimentos, puxado principalmente por aluguéis, transportes e recreação, enquanto a parcela de bens deve continuar a apresentar desinflação. Nesse sentido, avaliamos que o Fed prosseguirá com aumentos seguidos da taxa de juros, levando a taxa de juros para 3,25% ao final deste ano e para 4,00% no final do ciclo.

Na China, a inflação ao consumidor foi beneficiada por menor nível de restrições de mobilidade em maio. A inflação ao consumidor (CPI) apresentou alta de 2,1% em relação ao mesmo mês de 2021, resultado abaixo do esperado pelo mercado (2,2%). O número, que representa queda de 0,1% na margem já considerado o ajuste sazonal, foi influenciado pela normalização de preços de alimentos, sobretudo in natura. O núcleo da inflação (que exclui os itens mais voláteis da amostra) se manteve relativamente estável, em 0,9%, apresentando tendência de desaceleração desde julho de 2021. A inflação ao produtor (PPI), por sua vez, registrou desaceleração no índice para 6,4% em termos anuais ante 8,0% em abril. A transmissão da inflação mais alta ao produtor para os preços ao consumidor tem sido contida. Em linhas gerais, o núcleo de inflação se mostra estável e abaixo da meta de 2% desde agosto de 2018. Entretanto, apesar do alívio temporário, os próximos meses podem registrara novas pressões de preço a depender das medidas de restrição nos principais centros financeiros e comerciais chineses decorrentes da política de covid zero.

Em linha com a preocupação acerca da trajetória altista da inflação global, a avaliação de vários membros no Banco Central Europeu (BCE) sugere início do aperto monetário para a próxima reunião em julho. O BCE manteve suas principais taxas de juros de referência inalterada, mas sinalizou unanimidade do comitê em aumentar sua taxa de juros em julho e setembro. Hoje as taxas de juros de refinanciamento, liquidez e depósito se encontram em 0%, 0,25% e -0,50%, respectivamente. Além disso, o comunicado anunciou o fim do Programa de Compras de Ativos (APP, na sigla em inglês) ainda em junho. Em paralelo, o Programa Pandêmico de Compras Emergenciais (PEPP, na sigla em inglês) não sofreu nenhuma alteração. Após a divulgação da decisão, a presidente do BCE, Chirstine Lagarde, reforçou a indicação do comunicado de que na reunião de julho a decisão deve ser de uma alta de 25 pb e que, caso ocorra deterioração das expectativas de inflação, seria adequado um ajuste maior na reunião de setembro. 

Na próxima semana

Na agenda doméstica, destaque para a divulgação da decisão da taxa de juros pelo COPOM na quarta-feira. No cenário internacional, destaque para a decisão do FOMC na quarta-feira e dados de atividade — indústria e varejo — tanto nos EUA como na China.

  

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