ENFOQUE MACRO | INFORME SEMANAL E PERSPECTIVAS

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BRASIL: Prévia da inflação de abril alcança 12% no acumulado de 12 meses

MUNDO: PIB dos EUA e Zona do Euro ficam abaixo das expectativas de mercado

 

No cenário externo, os destaques da semana se concentraram nas divulgações do PIB nos Estados Unidos e Zona do Euro, além dos dados de inflação na Europa. A estimativa preliminar do PIB dos EUA no 1º trimestre surpreendeu negativamente ao mostrar queda de 0,4% na margem, sendo a primeira queda registrada desde o início da pandemia há dois anos. Por outro lado, os dados de inflação na Zona do Euro vieram em linha com as expectativas, atingindo 7,5% na variação de doze meses. No âmbito local, houve divulgação do IPCA-15 e a retomada das divulgações dos dados da pesquisa de expectativas do Banco Central (Focus). As projeções de inflação de 2022 subiram de 6,59% para 7,65%. Na mesma direção, as expectativas para o IPCA em 2023 também mostraram aceleração, passando de 3,75% para 4,00%. Na próxima semana, o foco das atenções se voltam para as reuniões de políticas monetária do Brasil (elevação de 100 pb) e EUA (elevação de 50 pb e anúncio sobre o plano de redução do balanço).

Em abril, a prévia da inflação ao consumidor (IPCA-15) variou 1,73%, ante avanço de 0,95% em março. O resultado veio abaixo da nossa projeção (1,80%) e da expectativa do mercado (1,83%). A inflação acumulada em 12 meses apresentou aceleração, de 10,79% no IPCA-15 de março para 12,03% em abril. Em relação ao núcleo de bens industriais, a principal surpresa baixista ficou por conta de item específico do grupo de cuidados pessoais. A tendência de desaceleração da inflação de veículos ainda pode ser observada no mês de abril, tanto para  veículos próprios quanto usados. Em serviços, os principais destaques foram aluguel residencial (0,6% ante -0,04% em março) e condomínio (1,2% ante 0,39% em março). Outro destaque do resultado da prévia de abril é a aceleração do item passagem aérea, com avanço de 9,4%. Com relação aos núcleos, que são métricas que excluem ou suavizam itens voláteis, a média anualizada de três meses com ajuste sazonal voltou a avançar, de 10,48% na prévia de março para 11,18%, refletindo a maior pressão em bens industriais. Em 12 meses, a média dos núcleos alcançou 9,21%. De forma geral, apesar da surpresa baixistas, a variação de alimentação no domicílio (3,0%) e itens de preços administrados (3,3%) seguem em patamar elevado, contribuindo para revisões altista nas projeções de curto prazo. Ao mesmo tempo, os núcleos apresentaram variação na margem em linha ou levemente abaixo do esperado, levando a revisões menos expressivas para as projeções. Por ora, nossa expectativa é que o IPCA encerre 2022 com variação de 7,7%.

A taxa de desemprego atingiu 11,1% no trimestre encerrado em março. Na série com ajuste sazonal, a taxa passou de 11,2% em fevereiro para 10,8% em março. A menor taxa de desemprego na margem pode ser atribuída à alta de 0,7% da população ocupada, que mais do que compensou o avanço da força de trabalho na margem (0,3%). Com isso, a taxa de participação com ajuste sazonal passou de 61,8% para 62,0%. Houve elevação na margem tanto de trabalhadores formais (0,8%), com maior influência de empregados no setor privado com carteira assinada, como de informais (0,3%). Dentre os setores, as maiores contribuições positivas para o crescimento dos ocupados vieram de comércio (0,8%), outros serviços (2,6%) e alojamento e alimentação (2,1%).

Em linha com a evolução da ocupação registrada na PNAD, o Caged registrou a criação líquida de 136 mil vagas em março. Com ajuste sazonal, o saldo foi positivo em 181 mil postos de trabalho, ante média de 193 mil vagas nos três meses anteriores. Por trás da desaceleração está o recuo de admissões (-11,7% na margem) em ritmo superior ao das demissões (-11,1%). Apesar disso, o patamar de admissões já supera em 19% o nível pré-crise. Na abertura por setor de atividade, todos registraram resultado positivo com exceção de agropecuária (-2,9 mil), com destaque para serviços (91 mil), comércio (37 mil) e construção (32 mil). Tanto os dados da PNAD quanto os do Caged evidenciam a força da criação de empregos. No entanto, vale notar que a massa de rendimento real segue abaixo do nível pré-crise como fruto da queda de qualidade das ocupações e reajustes salariais aquém da inflação nesse período.

O Governo Central foi deficitário em R$ 6,3 bilhões em março, ante déficit de R$ 2,0 bilhões no mesmo período em 2021. Comparado a março do ano passado, houve aumento real de 6,7% das receitas, com destaque para o avanço nos impostos sobre a renda (alta de 17,8%) e para a alta na contribuição social sobre o lucro líquido (alta de 28,3%). Entre as receitas não administradas pela Receita Federal, destaque dividendos e aquela vinculadas à exploração de recursos naturais. No lado das despesas, o avanço real foi de 13,5%, liderado pelo aumento nos pagamentos de abono e seguro-desemprego e gastos discricionários. Vale notar que, em 12 meses, as despesas excluindo gastos de combate à pandemia apresentam trajetória estável. O resultado não altera o cenário para o ano de déficit projetado significativamente abaixo da meta de R$ 170 bilhões. O ritmo mais forte da atividade e o preço elevado de commodities continuam a contribuir para resultados favoráveis para a arrecadação.

O PIB dos EUA teve recuo de 0,4% na margem no 1º trimestre, ante expectativa de mercado de crescimento de 0,2%. A contração na margem foi liderada pela contribuição negativa do setor externo, motivada especialmente pelo avanço nas importações. Mais relevante para entender a dinâmica da atividade, o consumo das famílias teve alta de 0,7% na margem, acelerando frente ao aumento de 0,6% no último trimestre do ano passado. O PIB dos EUA já supera o nível pré-crise em 2,8%. A contração na margem por uma composição atípica não interfere na condução de política monetária pelo Fed, que na próxima semana deverá elevar a taxa de juros em 50 pb.

Na Zona do Euro, houve nova surpresa de alta nos indicadores de inflação. Na medida de 12 meses, a prévia do CPI variou 7,5%, ante 7,4% no mês anterior. O destaque mais uma vez ficou para os preços de energia, que tiveram variação anual de 38% em abril. O núcleo da inflação, métrica que exclui alimentos e combustíveis e costuma receber mais atenção por parte das autoridades monetárias, avançou para 3,5% na comparação anual, surpreendendo as expectativas do mercado (3,2%) e ficando acima do resultado do mês anterior (2,9%). De forma geral, a pressão sobre os custos na cadeia de bens e a alta nos preços de energia estão sendo repassadas ao consumidor final. Em relação à atividade na região, o PIB avançou 0,2% na margem no 1º trimestre, o que representou leve desaceleração em relação ao ritmo de crescimento no trimestre anterior (0,3%). O crescimento ainda relativamente firme, mesmo após o conflito na Ucrânia, e a trajetória de alta do núcleo da inflação eleva a pressão para que o  Banco Central Europeu (BCE) também inicie um processo de retirada dos estímulos monetários  nas próximas reuniões.

Na próxima semana

Na agenda doméstica, destaque para a divulgação de dados de atividade, com o resultado do IBC-Br na segunda e da produção industrial na terça-feira. A reunião do Copom deverá confirmar a elevação da Selic em 100 pb. No cenário internacional, destaque para a decisão do Fed na quarta e a divulgação do relatório de emprego nos EUA na sexta-feira.

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