ENFOQUE MACRO | INFORME SEMANAL E PERSPECTIVAS

ENFOQUE MACRO | INFORME SEMANAL E PERSPECTIVAS

BRASIL: Produção industrial recua em fevereiro, mas emprego formal surpreende

MUNDO:  Índices de confiança da China mostram forte recuperação em março

 

A produção industrial recuou 0,7% na margem em fevereiro. Tanto a indústria extrativa quanto a indústria de transformação tiveram recuo no mês: a primeira, de 4,7%, ao passo que a segunda, de 0,2%, se situando 5,0% acima do patamar pré-crise. A principal contribuição negativa veio da fabricação de veículos (-7,2%), que sofreu com a falta de peças e paradas de produção no mês. Dentre as categorias de uso, foram registradas quedas em bens de consumo duráveis (-4,6%), puxados por automóveis, bens de capital (-1,5%) e bens de consumo semi e não duráveis (-0,3%). Por sua vez, bens intermediários avançaram 0,6%, com destaque para produtos alimentícios e metalurgia. A produção de insumos típicos da construção civil apresentou alta de 1,0% no mês. A média da produção industrial em janeiro e fevereiro ainda representa crescimento de 1,0% em relação ao 4º trimestre. As próximas leituras deverão continuar sendo prejudicadas por problemas no fornecimento de insumos para a produção de bens finais, bem como por fechamentos temporários  devido ao recrudescimento da pandemia,

A taxa de desemprego nacional atingiu 14,2% no trimestre encerrado em janeiro de acordo com os dados da PNAD. A taxa com ajuste sazonal permaneceu em 14,6%, uma vez que a queda da população ocupada na margem (-0,2%) foi compensada pelo recuo da força de trabalho (+0,1%) no período. Segundo a pesquisa, a maior contribuição para a queda do número de  ocupados veio do trabalho formal, que recuou 0,5% na margem, mais do que compensando a alta da população ocupada no setor informal (0,3%). Vale notar que o dado de emprego formal difere daquele registrado pelo Caged para o período (alta de 0,5%). Dentre os setores, as contribuições negativas vieram de comércio, alojamento e alimentação. Por fim, a massa de rendimento real efetivo, que capta as reduções salariais ocorridas durante a pandemia, teve queda de 1,2% em dezembro (há defasagem de um mês na série). Estimando o que teria sido o comportamento mensal da PNAD, concluímos que a perda de massa de renda desde o início da pandemia (cerca de 196 bi) foi mais do que compensada pelo montante de auxílio emergencial e benefício emergencial (BEM) no período. A taxa de desemprego nos próximos meses continuará pressionada à medida que mais pessoas reingressem no mercado de trabalho.

Dados de criação de emprego formal (Caged) de fevereiro trouxeram nova surpresa positiva. No mês, houve criação de 401,6 mil vagas, muito superior à nossa expectativa e do mercado, de resultado perto de 260mil. Considerando a série com ajuste sazonal, o saldo foi positivo em 398 mil postos de trabalho, ante 267 em janeiro, 359 mil em dezembro e 394 mil em novembro. Como base de comparação, a criação média de vagas em janeiro e fevereiro de 2020 foi de 120 mil. Isso evidencia o ritmo significativo de expansão do mercado de trabalho formal, que já acumula, na série ajustada com declarações fora do prazo e dessazonalizada,  saldo positivo de mais de 400 mil vagas desde o início da pandemia. Na abertura por setores, todos tiveram resultados positivos, com destaque para serviços (+121,6 mil vagas) e comércio (+90,5 mil postos). Houve alta de 7,8% das admissões e recuo de 0,8% das demissões. O patamar de admissões supera em 25,4% o nível pré-crise.

O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 11,8 bilhões em fevereiro. O resultado superou nossa expectativa (R$ -15 bilhões) e a mediana de projeções do mercado (R$ -20 bilhões). Na composição do indicador, o Governo Central apresentou déficit de R$ 22,5 bilhões, enquanto os governos regionais foram superavitários em R$ 10,5 bilhões e as estatais em R$ 212 milhões. Nos 12 meses encerrados em fevereiro, o resultado primário do setor público consolidado foi deficitário em R$ 691,7 bilhões, equivalente a 9,2% do PIB. Já o resultado nominal, que inclui, além do resultado primário os juros nominais, foi deficitário em R$ 41 bilhões em fevereiro. No acumulado em 12 meses, o déficit nominal alcançou 13,5% do PIB. A dívida bruta alcançou o patamar de 90% do PIB, aumento de 0,6 p.p. em relação ao mês anterior.  O cenário segue desafiador do ponto de vista fiscal. A retomada da atividade econômica será importante para a recuperação das receitas e redução do déficit primário adiante.

Indicadores de confiança da China mostram forte recuperação no terceiro mês do ano. O PMI composto, que incorpora a expectativa da indústria, do setor de serviços e da construção, subiu de 51,6 em fevereiro para 55,3 em março. Isso significa uma aceleração da atividade na passagem do mês, tendo em vista que níveis acima de 50 pontos sugerem expansão econômica. A abertura revela que a maior contribuição para a melhora do indicador se deu no ramo não manufatureiro. A confiança do setor de serviços teve incremento de quase 5 pontos, subindo de 50,8 para 55,2. Dentre outros motivos, a melhora na confiança de serviços foi impulsionada pelo recente afrouxamento das medidas de restrição a mobilidade. Já a confiança do setor de construção atingiu o maior nível desde dezembro de 2018 ao se elevar de 54,7 para 62,3. Por fim, o índice do setor industrial subiu de 50,6 para 51,9, com destaque para a retomada de novas ordens para exportação. Em suma, a atividade na China mostra sinais de retomada após a desaceleração econômica ocorrida durante o feriado do ano novo lunar, em fevereiro. O país deve ter crescimento robusto em 2021, bem acima da meta de 6% estabelecida pelo governo e a despeito da sinalização de retirada gradual dos estímulos adotados em resposta à crise.

Nos EUA, a confiança da indústria teve aceleração em março. O índice ISM de manufatura, uma importante métrica de confiança da indústria nos EUA, passou de 60,8 em fevereiro para 64,7 no mês. Vale lembrar que índices acima de 50 pontos sinalizam expansão. O resultado mais forte do que as expectativas foi fruto da melhora dos indicadores de novas encomendas, produção e emprego. Por sua vez, a indústria americana tem enfrentado atrasos e  escassez de insumos por conta da pandemia. Combinados com a forte demanda, esses fatores repercutiram sobre o componente de preços, que alcançou o patamar de 85,6. A vacinação acelerada e a expansão fiscal devem dar suporte ao avanço da atividade nos próximos meses.

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