CREDITO E MERCADO NOSSA VISÃO – 09/05/2022

NOSSA VISÃO – 09/05/2022

Retrospectiva

Em uma semana marcada por fortes emoções, alta dos juros e perdas do Ibovespa, o principal índice da bolsa fechou o último dia em leve queda, acompanhando os mercados globais. A aversão a riscos e os balanços do primeiro trimestre ditaram as regras do dia e o Ibovespa fechou a sexta-feira em queda de 0,16%, aos 105.135 pontos. Na semana, as perdas foram de 2,54%. Assim, no ano, o índice apresenta uma alta tímida, de 0,3%.

O dólar engatou a terceira semana de ganhos, mais longa série do tipo desde outubro do ano passado. O real teve nesta semana o pior desempenho entre alguns de seus principais pares emergentes. E especuladores que operam na Bolsa de Chicago realizaram nos sete dias findos em 3 de maio a maior venda líquida de contratos de real desde meados de março, demonstrando menor otimismo com a moeda brasileira.

A moeda norte-americana era negociada a R$ 5,0733 para venda – maior valor desde 16 de março, quando valia R$ 5,0917.

Com o resultado, passou a acumular alta de 2,69% na semana e no mês.

A Selic passou de 11,75% para 12,75% ao ano, e o Brasil voltou à liderança do ranking de maiores juros reais dentre as maiores economias do mundo, com a taxa básica do país.

O Federal Reserve, o banco central americano, anunciou na quarta-feira a elevação da taxa de juros em 0,50 pontos percentuais e o início da redução do seu balanço patrimonial. A declaração do presidente do Fed, Jerome Powell, de que uma alta de 0,75 p.p não está sendo estudada empolgou os mercados na quarta-feira, mas a reação nos dias subsequentes mostra que os investidores ainda enxergam um cenário de dificuldades.

Vale lembrar que o Brasil registrou 19.725 novos casos de Covid-19 na última sexta-feira, o que leva o total de infectados pela doença no país a 30.543.908, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, números voltam a assustar com uma possível volta das restrições.

Relatório Focus

O Banco Central (BC) anunciou, na última quarta-feira (4), que vai voltar a suspender a divulgação de análises e indicadores econômicos devido à greve dos servidores da entidade.

Segundo o BC, as novas datas para as divulgações serão informadas à imprensa com 24 horas de antecedência. Durante a primeira paralisação, os indicadores que incluem o boletim Focus, o Relatório de Poupança e o IBC-Br foram afetados e tiveram que ter as divulgações adiadas.

Perspectivas

Os mercados de capitais foram abalados na semana passada, depois que o Federal Reserve entregou a alta dos juros de meio ponto percentual amplamente antecipada e sinalizou movimentações semelhantes nas próximas reuniões enquanto combate à inflação em escalada, e pode haver mais volatilidade em estoque se os dados de inflação de quarta-feira forem mais altos do que o esperado.

Após uma semana de alta na taxa de juros básica da economia brasileira, a Selic, em 1 p. p. conforme esperado pelo mercado, com objetivo de frear a inflação, os brasileiros voltam o foco nos próximos dias para os dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referente ao mês de abril, que será divulgado na quarta (11). O IPCA de março atingiu 11,30% em 12 meses, enquanto a projeção para abril é de 12,04%.

Com a retomada da greve dos servidores do BC, não está prevista publicação do Boletim nesta segunda, e não se sabe se a ata do Copom, prevista para terça-feira, pode atrasar.

Os dados do IPC para abril, agendados para saírem na quarta-feira, irão mostrar se a maior escalada da inflação em mais de 40 anos atingiu o seu pico. A taxa anual de inflação atingiu 8,5% em março, enquanto os preços da gasolina atingem valores recordes.

A China vai publicar dados sobre o comércio e a inflação na segunda-feira, revelando o impacto dos lockdowns contra a Covid-19 na segunda maior economia do mundo.

A União Europeia está prestes a chegar a acordo sobre uma nova rodada de sanções contra Moscou pela invasão da Ucrânia, incluindo um embargo gradual ao petróleo russo, que constitui mais de um quarto das importações da UE.

Sobre a nossa ótica, mantivemos a não recomendação de fundos de longuíssimo prazo (IMA-B 5+ E IDKA 20A), 5% em fundos de longo prazo (IMA-B TOTAL E FIDC/ CRÉDITO PRIVADO/ DEBÊNTURE) e 30% em fundos Gestão Duration.

Diante da expectativa de alta na taxa de juros fundos atrelados ao CDI tendem a ter bom desempenho, indicamos uma maior porcentagem de exposição em fundos de curto prazo (CDI), que agora passa a ser 15%, enquanto os fundos de médio prazo, passam a representar 10% de acordo com a nossa alocação tática.

Em relação aos fundos pré-fixados, não recomendamos a estratégia, pois diante da expectativa de alta na taxa de juros o desempenho destes fundos tende a ser afetado. Mantemos a sugestão para que os recursos necessários para fazer frente às despesas correntes sejam resgatados dos investimentos menos voláteis (IRF-M1, IDkA IPCA 2A).

Já para os títulos públicos, seguindo nossa ótica e diante das seguidas elevações na taxa de juros demonstram ser uma boa oportunidade. Recomendamos que a exposição seja feita primeiramente utilizando a marcação à mercado, e posteriormente quando atingindo o valor esperado, seja feita a transferência para marcação na curva.

Uma alternativa que vem se mostrando forte nos últimos tempos, e que possui boa expectativa, é a diversificação em fundos de investimento no exterior, recomendamos primeiramente a exposição em fundos com hedge com 5% para posteriormente realizar uma entrada gradativa em fundos que não utilizam hedge cambial também com 5%.

Quanto a fundos de ações atrelados a economia doméstica recomendamos a entrada gradativa de modo que o investidor fique atento a oportunidades da bolsa de valores, construindo um preço médio mais atrativo.

Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.

Indicadores Diário – 06/04/2022

Índices de Referência – Março/2022

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