Síntese Mensal BRAM – Abril 2020

SÍNTESE ECONÔMICA | ABRIL 2020

BRASIL:  Medidas para mitigar efeitos da epidemia avançam. Inflação recua e desemprego aumenta

MUNDO: Atividade contrai no 1° trimestre. Bancos centrais anunciam novas medidas de estímulo

As medidas temporárias para mitigar o efeito da epidemia no Brasil avançaram em abril. Na parte fiscal, foi sancionado e iniciou-se o pagamento do auxílio emergencial de R$ 600 reais, destinado a trabalhadores informais e famílias de baixa renda. Para o setor formal, o governo dispôs mais de R$ 50 bilhões para complementar a renda daqueles que tiveram redução de jornada. Além disso,  reduziu-se a zero o IOF de crédito e possibilitou diferimento de alguns impostos por 90 dias. Nos próximos meses, as contas públicas serão negativamente impactadas pelas medidas emergenciais contra a pandemia e a redução na arrecadação. No ano, déficit deve ficar em 8,7% do PIB e dívida bruta em 91,3% do PIB. Em relação à política monetária,  o Banco Central (BC) foi autorizado pelo Conselho Monetário Nacional a conceder empréstimos para as instituições financeiras tendo como garantia as suas carteiras de crédito. Segundo estimativa do BC, essa operação pode atingir até R$ 650 bilhões. Essa medida visa aumentar a liquidez do sistema financeiro.

Na atividade, o desemprego aumentou e a produção e venda de veículos caíram em março, com os primeiros sinais de impacto do isolamento social.  No mês de março, a taxa de desemprego avançou para 12,2% no mês, com retração de 0,9% na força de trabalho. Os setores com maior perda de empregos foram indústria, comércio e serviços de alimentação e alojamento. Por sua vez, a produção e venda de veículos apresentaram contração de 20,9% e 21,2%, respectivamente. Vale ressaltar que esses dados ainda apresentam os primeiros impactos das medidas necessárias para conter a doença. A magnitude mais clara dos efeitos da epidemia deve ser visível apenas nas leituras da atividade de abril.  Nossa previsão para o ano é de retração de 4,4% do PIB.

A inflação ao consumidor (IPCA) desacelerou em março e na prévia de abril (IPCA-15). Em março, o IPCA variou +0,07%. Em termos qualitativos, a média dos núcleos de inflação (exclui itens voláteis) desacelerou de 3,1% para 2,8% em doze meses. Já o IPCA-15 de abril variou -0,01%, com núcleo desacelerando de 3,0% para 2,5%. Ambos indicadores sinalizam a continuidade do cenário benigno para a inflação. Nos próximos meses, o efeito do recuo da atividade e a queda do preço do petróleo deverão implicar leituras deflacionárias. Para esse ano, nossa projeção é de 1,8%, abaixo do centro da meta (de 4,0%).

No cenário global, a atividade sofreu em março sua maior retração desde a crise de 2008, com destaque para o impacto nos EUA e na Zona do Euro. No mês, as vendas no varejo e a produção industrial dos EUA recuaram 8,7% e 5,4% em relação a abril, respectivamente.  Com o resultado de março, o PIB do 1° semestre no país contraiu 4,8% na margem anualizado. Na Zona do Euro, a leitura preliminar do PIB do 1º trimestre mostrou contração de 3,8% na margem (-14,4% anualizado). Os resultados incorporam apenas algumas semanas de isolamento durante o mês de março. Para o 2° trimestre, com a continuidade de algumas medidas de restrição, os dados de atividade deve continuar registrando quedas.  No ano, o PIB deve recuar em torno de 5%  nos EUA e contrair cerca de 10% na Zona do Euro.

Na China, PIB também apresentou retração no 1° trimestre deste ano.  Houve queda de 6,8% na variação anual. O resultado expressa os efeitos sobre a economia gerados pelas medidas adotadas para a contenção da pandemia. Por outro lado, os resultados da atividade em março já apontam para alguma retomada, com melhora nos resultados da produção industrial, das vendas no varejo e do investimento em capital fixo no mês. A retração de atividade na China revela a magnitude do efeito que deverá ocorrer em economias afetadas pela pandemia. Ao mesmo tempo, a retomada gradual das atividades no país e a recuperação expressa nos indicadores de março apontam para uma recuperação compatível com crescimento em torno de 1,5% do PIB em 2020.

Com o pano de fundo de contração da atividade econômica, o mês contou com decisões importantes de política monetária. Nos EUA, o Fed manteve a taxa de juros entre 0% a.a e 0,25% a.a e os programas de estímulo (compra de ativos). Na entrevista após a reunião, o presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou que podem elevar o grau de estímulo em caso de necessidade, ressaltando que os riscos baixistas para a atividade ainda são elevados. Enquanto isso, o Banco Central Europeu (BCE) anunciou nova medida para prover condições mais favoráveis para as operações de refinanciamento de longo prazo (TLTRO). No Japão, o banco central (BoJ) decidiu retirar a sua meta de compra anual de ¥80 trilhões em títulos públicos, sinalizando uma estratégia de compra ilimitada. Além disso, o BoJ também anunciou que irá aumentar seu montante de títulos corporativos para ¥20 trilhões. De forma geral, as autoridades monetárias das principais economias do mundo se mostraram dispostas a ampliar a implementação de políticas monetárias estimulativas frente os riscos baixistas enfrentados por essas economias.

 

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