SÍNTESE ECONÔMICA DE SETEMBRO

No Brasil, o Copom reduziu a Selic para 5,5% a.a. e sinalizou ajustes adicionais. No âmbito global, diante de ambiente de incerteza, Bancos Centrais adotam estímulos monetários.

O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic pela 2ª vez consecutiva e sinalizou a continuidade do ajuste monetário. Em decisão unânime, o comitê reduziu a Selic de 6,0% para 5,5% ao ano, conforme o esperado, levando-a ao menor patamar da história. Na ata da reunião, os membros enfatizaram que o cenário de inflação permanece benigno e a atividade segue em processo de retomada gradual. O risco relacionado ao avanço das reformas estruturais foi mitigado, deixando de ser a incerteza preponderante. Além disso, o Copom manteve a avaliação de que os estímulos monetários nas principais economias do mundo têm gerado um quadro relativamente favorável para países emergentes, apesar do risco de desaceleração global. Diante disso, o Copom avalia que a consolidação desse cenário benigno para a inflação prospectiva deverá permitir ajuste adicional no grau de estímulo.

As projeções do Relatório Trimestral de Inflação (RTI) corroboram o cenário de corte de juros nesse ano e manutenção em 2020. Mesmo com a recente desvalorização do câmbio, as projeções de inflação do Banco Central permaneceram abaixo da meta nesse e no próximo ano. Considerando os cenários de inflação com trajetórias de taxas de juros e câmbio da pesquisa de mercado (Focus), a inflação se situa em torno de 3,3% em 2019 e 3,6% em 2020. No cenário com Selic (6,0% a.a.) e câmbio (R$/US$ 4,05) constantes, as projeções ficam em torno de 3,4% em 2019 e 3,6% em 2020. Por sua vez, em um cenário híbrido com taxa de câmbio constante e trajetória de juros da pesquisa Focus, a inflação atinge 3,4% em 2019 e 3,8% em 2020. Com as projeções de inflação do Banco Central bem comportadas, avaliamos que a Selic irá encerrar o ano em 4,5% ao ano.

A prévia da inflação ao consumidor (IPCA-15) registrou alta em linha com o esperado para setembro e os dados de atividade de julho apontam para um ritmo moderado do PIB no 3o trimestre. No mês, o IPCA-15 variou 0,09% e, em 12 meses, segue estável em 3,2%. Para o ano, projetamos alta de 3,4%. Com relação à atividade, os resultados mais fortes do comércio e de serviços em julho afastam a possibilidade de recuo do PIB no 3º trimestre. Porém, o desempenho da indústria permaneceu fraco, o que influenciou o resultado do índice mensal de atividade do Banco Central (IBC-Br), que recuou 0,2% na margem em julho. A liberação dos saques do FGTS e os efeitos da política monetária sobre a economia devem impulsionar a atividade no 4º trimestre. Projetamos que o crescimento do PIB será de 0,8% em 2019.

No âmbito global, a tensão comercial entre EUA e China arrefeceu com medidas construtivas de ambas as partes. Após o aumento da tensão no mês de agosto, o presidente Donald Trump anunciou a postergação em duas semanas do aumento programado das tarifas sobre as importações chinesas (de 25% para 30% sobre US$ 250 bilhões), que entraria em vigor em 1º de outubro. Do outro lado, a China anunciou a isenção das tarifas suplementares sobre os produtos importados dos EUA, incluindo a compra de soja, produto sensível para parcela do eleitorado norte-americano. O sinal de trégua antecede a reunião entre as autoridades em meados de outubro. Embora a probabilidade de um grande acordo ainda seja baixa, a interrupção da escalada das tensões reduz a chance de uma desaceleração mais pronunciada da economia global.

O Fed reduziu a taxa de juros em meio à preocupação com o cenário global. O Fed reduziu a taxa de juros em 0,25 p.p., passando para o intervalo entre 1,75% e 2,0% ao ano. Em seu comunicado, a autoridade monetária afirmou que a atividade segue robusta, embora com certa moderação. O comitê reiterou a elevada incerteza com a guerra comercial e a atividade global, avaliando que o corte de juros agirá de maneira apropriada para sustentar a expansão da atividade dos EUA. O presidente do Fed, Jerome Powell, sinalizou que a atual conjuntura requer ajustes moderados nos juros. Adicionalmente, Powell admite que, caso o cenário piore, o ciclo de corte de juros poderá ser estendido. Avaliamos que, diante da conjuntura atual, haverá novo corte de 0,25 p.p. na reunião de outubro.

O Banco Central Europeu (BCE) anunciou um pacote de estímulos à economia, enfatizando seu objetivo de convergir a inflação para a meta. Conforme esperado, o BCE reduziu a taxa de depósito de -0,40% para -0,50% a.a. e anunciou a retomada do programa de compra de títulos (quantitative easing) a um ritmo de € 20 bilhões por mês. Em seu comunicado, o BCE não especificou o prazo em que pretende encerrar a compra de títulos, enfatizando que ela será mantida até que a taxa de inflação convirja de forma robusta para a meta. Ademais, em sua entrevista após a reunião, o presidente do BCE, Mario Draghi defendeu que a política monetária permanecerá acomodatícia até o momento em que a inflação superar significativamente 1,5%. A ação mais agressiva do BCE se insere no contexto de desaceleração da atividade na região, que sofre com sua maior exposição ao cenário de incerteza global.

Na China, a inflação ao consumidor de agosto manteve-se em 2,8% em termos anuais e dados de atividade frustraram as expectativas. Esse resultado foi reflexo da elevação do preço da carne suína, que acelerou de 27% em julho para 47,6% em agosto. Apesar da aceleração, o núcleo do CPI (exclui alimentos e energia) se manteve em patamar baixo, com variação de 1,5%. Com relação à atividade, os dados de indústria, vendas no varejo e de investimentos frustraram a expectativa em agosto. Como ponto positivo, no entanto, o investimento ligado à infraestrutura acelerou de 2,7% para 6,2%. Com os resultados de julho e agosto, o risco de crescimento abaixo de 6,0% no 3º trimestre tornou-se mais elevado. Portanto, diante da desaceleração da atividade, dos impactos negativos oriundos da guerra comercial, somados ao cenário de inflação acomodada, acreditamos que haja espaço para novas rodadas de estímulo pelas autoridades chinesas nos próximos meses.

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