SÍNTESE ECONÔMICA DE DEZEMBRO

SÍNTESE ECONÔMICA DE DEZEMBRO

Brasil: Ata reforça o cenário de Selic em patamar significativamente contracionista

Mundo: Bancos centrais anunciam redução do grau de estímulo monetário

Na ata da última reunião do comitê de política monetária (Copom), na qual a Selic foi elevada de 7,75% para 9,25%, a grande novidade ficou por conta da pior avaliação do balanço de riscos para a inflação e pela desancoragem das expectativas, inserindo viés altista para as projeções no cenário básico. Nesse sentido, o comitê avalia que é necessária a manutenção do ciclo de aperto monetário mais contracionista do que o utilizado no cenário básico por todo o horizonte relevante. Além de simular ritmos diferentes de alta da Selic, os membros também consideraram cenários com a taxa de juros permanecendo elevada por um período mais longo do que o implícito no cenário básico, optando pela manutenção do ritmo de alta em 1,5 p.p. O documento reafirma o cenário de compromisso do Banco Central em garantir a convergência da inflação para a meta ao longo de 2022 e 2023. Na reunião de fevereiro, o Copom deverá elevar a taxa de juros em 150 pb, para 10,75% a.a. O ciclo atual de aperto deverá ser encerrado em 11,75% na reunião de março, com uma alta de 100 pb. Esse patamar da Selic deverá ser mantido ao longo de todo o ano.

Em dezembro, a prévia da inflação ao consumidor (IPCA -15) variou 0,78%, ante avanço de 1,17% em novembro. A inflação acumulada em 12 meses apresentou desaceleração, de 10,7% no fechado de novembro para 10,4% em dezembro. Dentro das surpresas baixistas, o grupo Higiene Pessoal teve o maior impacto, com queda de -3,34%, causando menor inflação de bens industriais. Já em serviços, destaque para alimentação fora do domicílio (0,08%), também influenciada por promoções da Black Friday. No entanto, o núcleo de serviços subjacentes ex-alimentação fora do domicílio teve alta de 0,88% no mês, apresentando aceleração em relação a tendência dos últimos meses. Com relação aos núcleos, que são métricas que excluem ou suavizam itens voláteis, a desaceleração frente ao mês de novembro foi mais intensa do que o esperado. Em dezembro, a média da variação dos núcleos dessazonalizada passou de 0,83% para 0,73%, ante expectativa de 0,78%. Em 12 meses, a média dos núcleos alcançou 7,4%. Projetamos que o IPCA deverá encerrar 2021 com variação de 9,9%.

Incorporando as surpresas negativas com a atividade em outubro, o Índice de atividade econômica do Banco Central (IBC-Br) teve retração de 0,4% na margem. Na comparação interanual, o índice teve queda de 1,5%. O indicador repercutiu a queda na margem do volume de serviços (-1,2%), das vendas do varejo (-0,9%) e da produção industrial (-0,6%) no mês. Com o resultado, o IBC-Br se encontra 1,6% abaixo do nível pré-crise. O dado de outubro representou queda de 0,9% em relação à média do 3º trimestre. De forma geral, o resultado mostra um quadro menos favorável para o PIB no 4º trimestre.

Nos EUA, o Fed anunciou uma nova redução do programa de compras de ativos, enquanto as projeções confirmaram altas de juros no próximo ano. Conforme o esperado, o Comitê anunciou que a partir do final de janeiro as compras de títulos do Tesouro serão reduzidas mensalmente em US$ 20 bilhões, enquanto os títulos do mercado imobiliário serão reduzidos mensalmente em US$ 10 bilhões. Nesse ritmo, que poderá ser alterado segundo o comunicado, o programa de compras estaria finalizado em março ao invés de junho, como indicado na reunião de novembro. A respeito do cenário, a leitura de que a inflação é majoritariamente transitória foi excluída, em linha com revisões altistas para a inflação. Para 2022, a projeção para o núcleo de inflação saiu de 2,3% em setembro para 2,7%, enquanto que para 2023 a projeção subiu de 2,2% para 2,3%. No mercado de trabalho, a taxa de desemprego em 3,5% já deverá ser alcançada em 2022 ao invés de 2023, como indicava a projeção anterior. Por fim, a perspectiva sobre a trajetória de juros dos membros sofreu alterações relevantes. A mediana dos votos, que indica a visão de cada membro do Fed, apontou para três altas de juros em 2022, enquanto na reunião anterior o comitê ainda estava dividido sobre elevar os juros em 2022. Na entrevista após a reunião, o presidente do Fed, Jerome Powell, mostrou preocupação com a disseminação da alta de preços e sinalizou que mesmo que o mercado de trabalho não atinja o pleno emprego, o Fed deverá iniciar o ciclo de aperto monetário no próximo ano. Em linhas gerais, a decisão reforça o cenário de aumento de juros pelo Fed no próximo ano. Em nosso cenário, contemplamos três altas de juros em 2022, com a primeira elevação provavelmente em junho.

Na Europa, os bancos centrais também adotaram políticas de redução do estímulo monetário. No caso do Banco Central Europeu (BCE), o Programa Pandêmico de Compras Emergenciais (PEPP, na sigla em inglês), com volume de compras € 1,85 trilhão em compra de ativos, não deverá ter continuidade após março de 2022. Para atenuar o impacto nas condições financeiras desse encerramento, o BCE deverá aumentar temporariamente o programa tradicional de compra de ativos, atualmente em € 20 bilhões ao mês. Nesse caso, entre o segundo trimestre e o mês de outubro, serão adicionados ao programa cerca de € 90 bilhões. Vale mencionar, que diferentemente do Fed, a projeção de inflação no horizonte mais longo se encontra em 1,8%, abaixo da meta de 2%, afastando a possibilidade de alta de juros no próximo ano.  O Banco Central da Inglaterra (BoE) também elevou a taxa de juros em 15 pontos base, para 0,25%, sendo que a expectativa era de manutenção dos juros. A inflação elevada e os sinais contundentes de aperto no mercado de trabalho balizaram a decisão, apesar das incertezas a respeito da evolução da nova variante (Ômicron) no país. O BoE indicou que o cenário prescreve um aperto modesto da política monetária, indicando ao menos mais uma alta de juros em 2022.

Por fim, na China, os dados mostraram alguma melhora do lado da oferta, enquanto a demanda surpreendeu negativamente. Na comparação interanual, a indústria apresentou expansão de 3,8%, representando o segundo mês consecutivo de aceleração. Já as vendas no varejo desaceleraram de 4,9% para 3,9%, abaixo do consenso de mercado (4,8%). Os investimentos em ativos fixos (FAI) tiveram variação de 5,2%, também abaixo da variação de 6,1% em outubro. Nossa expectativa é de crescimento de 8,1%, embora as recentes frustrações no setor imobiliário insiram viés de baixa para a projeção. Esse viés de baixa também se mantém para a projeção de 5% em 2022.

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