RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS

No Brasil, o quadro de inflação permanece benigno e a indústria segue em recuperação lenta. No âmbito global, os bancos centrais sinalizam que podem adotar novos estímulos no curto prazo.

A inflação ao consumidor (IPCA) registrou alta abaixo do esperado em maio e deve apresentar moderação nos próximos meses. O IPCA variou 0,13% no mês, abaixo da nossa expectativa e do mercado, ambas em 0,21%. Em relação ao que projetávamos, as maiores surpresas baixistas ocorreram nos componentes de alimentação fora de casa, transportes e saúde e cuidados pessoais.  Em 12 meses, o IPCA desacelerou de 4,94% para 4,66%. Em termos qualitativos, os indicadores também mostraram moderação mais intensa do que o esperado. A média dos núcleos de inflação (que exclui itens voláteis) subiu 0,16%, ante projeção de 0,26%. O índice de difusão (exclui alimentação) ficou em 59%, abaixo do patamar de 61% no mesmo período em 2018. Para o mês de junho, projetamos alta de 0,02%, levando o IPCA em 12 meses para 3,4%. Mantemos a projeção em 3,7% para 2019 e 2020.

A produção industrial manteve a trajetória de recuperação gradual em abril. Na margem, a indústria expandiu 0,3%, em linha com a nossa projeção (0,4%), mas abaixo das expectativas do mercado (0,7%). Entre os segmentos, apenas o de bens intermediários apresentou recuo (-1,4%). Destaque positivo para  o crescimento de 3,1% em bens de consumo, e para a alta de 2,9% na produção de bens de capital. Em termos anuais, a indústria recuou 3,9%, influenciada pela queda de 24% da produção extrativa mineral, decorrente do rompimento da barragem em Brumadinho (MG). A indústria de transformação (exclui extrativa mineral), registra queda de 1,1% na variação interanual. Com esse resultado, o tracking do PIB do 2º trimestre aponta alta de 0,3% na margem, compatível com o crescimento de 0,8% em 2019.

Nos EUA, os dados do mercado de trabalho surpreenderam negativamente em maio, acentuando o debate sobre corte de juros pelo Fed. No mês, foram geradas 75 mil vagas de trabalho, patamar abaixo do esperado pelo mercado (175 mil). A taxa de desemprego, por sua vez, permaneceu em 3,8%. Além da criação de vagas, os salários também tiveram variação na margem abaixo do esperado (0,2% ante 0,3%), desacelerando de 3,2% para 3,1% em termos anuais. Os dados mais fracos aumentam a preocupação em torno de uma possível desaceleração da economia norte-americana. Nesse caso, em seu mais recente discurso, o presidente do Fed, Jerome Powell, manifestou preocupação com o recente aumento da tensão comercial e se mostrou disposto a agir para sustentar a expansão da economia, alimentando com isso o debate sobre corte de juros nas próximas reuniões. Avaliamos que os últimos eventos reforçaram a tendência de escalada protecionista, aumentando o risco de deterioração da atividade global. Ainda que no curto prazo a reação do Fed seja a de aguardar os impactos sobre a economia, em nossa visão a chance de cortes de juros precaucionais até o final do ano é elevada.

Na China, o indicador de confiança (PMI Caixin) registrou nova queda no mês de maio. O indicador composto recuou de 52,7 em abril para 51,5 pontos em maio, patamar que ainda contempla expansão industrial (acima de 50 pontos). Entre os setores, a confiança da indústria se manteve em 50,2 pontos, enquanto o PMI  de serviços recuou de 54,5 para 52,7 pontos. Embora o patamar atual do PMI esteja acima da média do 1º trimestre, o aumento da tensão comercial nas últimas semanas e a piora dos dados de atividade e crédito em abril deverão implicar novos estímulos fiscais e monetários pelas autoridades chinesas. Nesse sentido, o presidente do Banco Popular da China (PBoC), Yi Gang, defendeu que há um espaço ‘tremendo’ para ajustes na política monetária caso a atividade econômica piore nos próximos meses.

O Banco Central Europeu (BCE) demonstrou confiança no cenário de recuperação da atividade e de convergência da inflação, mas afirmou que todas as opções de estímulo estão em aberto. Conforme o esperado, o BCE manteve a taxa de juros básica (0,00% a.a.), assim como as taxas de depósito (-0,40% a.a.) e de empréstimos (0,25% a.a.). No comunicado, o BCE prorrogou o prazo de manutenção dos juros nesse patamar de ‘pelo menos até o final de 2019’ para ’pelo menos até o 1º semestre de 2020’.  Cauteloso, o presidente do BCE, Mario Draghi, reconheceu o aumento do risco sobre a atividade decorrente da escalada do protecionismo, mas mostrou confiança com o alcance da meta de inflação. Ademais, Draghi afirmou que aumentou a disposição de alguns membros do BCE em adotar uma política de corte de juros ou de retomada das compras de títulos públicos. De modo geral, o BCE não mostra a intenção de agir de forma preventiva à uma possível desaceleração mais intensa da atividade global. Nesse caso, acreditamos na manutenção dos juros nesse patamar até 2020.

Na próxima semana, os destaques são as divulgações de dados de atividade no Brasil e de atividade na China. Na quarta-feira será divulgado a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) para o mês de abril, enquanto na quinta-feira o IBGE divulgará a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) para o mesmo mês.  Na agenda global, além da inflação de maio nos EUA, a China divulgará os seus dados de produção industrial, vendas no varejo e investimento também para o mês de maio.

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