RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS

RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS.

No Brasil, a inflação ao consumidor apresentou nova surpresa baixista. No âmbito global, o presidente do Fed sinalizou a continuidade na redução da taxa de juros.A prévia da inflação ao consumidor (IPCA-15) de agosto registrou alta abaixo do esperado. No mês, o IPCA-15 teve alta de 0,08%, abaixo da nossa expectativa (0,15%) e do mercado (0,16%). A maior surpresa em relação à nossa projeção ocorreu no grupo Alimentação no Domicílio, que registrou deflação de 0,45%, ante expectativa de -0,02%. O grupo Habitação apresentou o resultado mais elevado, influenciado pelo aumento em energia elétrica (4,9%). Em geral, o quadro de inflação segue benigno. Em 12 meses, o IPCA-15 atingiu 3,2% em agosto. Por sua vez, a média dos núcleos segue em patamar confortável (3,1%). Com relação ao ano, projetamos alta de 3,5%, abaixo da meta do Banco Central para 2019, de 4,25%.A arrecadação federal continuou em recuperação em julho. No mês, a arrecadação somou R$ 137,7 bilhões, em linha com a nossa projeção (R$ 137,2 bilhões). O valor representou um aumento real de 2,9% em termos anuais, com destaque para o crescimento de 21,0% em impostos vinculados às empresas, embora as receitas atípicas de R$ 3,2 bilhões tenham impulsionado o resultado. Em linhas gerais, a arrecadação foi afetada pelo ritmo mais fraco da atividade no início do ano, o que levou o governo a fazer cortes no orçamento. A recuperação apresentada nos últimos meses, caso continue, permitirá uma menor restrição fiscal no 2º semestre. Avaliamos que a melhora gradual da atividade e as receitas não recorrentes favorecerão esse cenário. Com relação ao mercado de trabalho, a criação de vagas formais permaneceu com ritmo fraco em julho. O CAGED registrou a criação líquida de 43,8 mil vagas em julho, resultado em linha com a expectativa do mercado. Nas séries com ajuste sazonal, segundo os nossos cálculos, houve abertura de 20,3 mil vagas no total. Entre os setores, destaque para a construção civil, que apresentou abertura de 9,5 mil vagas. Por sua vez, a indústria continua com desempenho fraco (-3,5 mil), enquanto o setor de serviços desacelerou (+15 mil). O ritmo moderado de recuperação do mercado de trabalho está em linha com a nossa projeção de crescimento do PIB de 0,6% para o ano.Na Zona do Euro, a prévia da confiança (PMI) mostrou recuperação modesta em agosto. No mês, o indicador composto acelerou de 51,5 para 51,8 pontos. Tanto o setor de serviços quanto o PMI da indústria apresentaram aumento no período. A despeito da melhora no indicador, os principais componentes da indústria (produção, ordens e emprego) ainda seguem em contração (abaixo de 50). Até o momento os indicadores apontam expansão de 0,8% anualizado no 3º trimestre, distante do potencial de 1,2%.  Ainda na Zona do Euro, a inflação (CPI) passou de 1,3% ao ano em junho, para 1,0% em julho. De forma geral, o índice teve redução em 15 países membros. O núcleo da inflação (exclui alimentos e energia) ao consumidor registrou alta de 0,9% em termos anuais em julho, desacelerando em relação ao patamar de junho (1,1%). O cenário de crescimento fraco e inflação baixa reforça a nossa avaliação de adição de estímulos pelo Banco Central Europeu (BCE) na reunião de 12 de setembro.Nos EUA, o discurso do presidente do Fed sinaliza novo corte da taxa de juros em setembro. Em seu primeiro discurso após a mais recente escalada da tensão comercial entre EUA e China, Jerome Powell, presidente do Fed, afirmou que os membros do FOMC estão monitorando cuidadosamente as implicações da piora do ambiente global sobre a economia norte-americana, defendendo que agirão de modo a sustentar a expansão da economia doméstica. Vale mencionar que a ata da última reunião, que precedeu o último aumento de tarifas pelos EUA, havia mostrado uma maior divisão entre  os membros do comitê sobre a necessidade de estímulos. Ainda assim, o FOMC reconhecia os riscos e incertezas com relação ao cenário internacional, além de sinais de desaceleração dos investimentos e da produção industrial no país. A tensão comercial, fator importante para decisão do Fed, ganhou novos contornos nessa semana com a elevação de tarifas da China sobre produtos importados dos EUA. Por sua vez, o presidente Donald Trump também decidiu elevar novamente as tarifas sobre todas as exportações chinesas. Em nossa avaliação, a escalada da tensão comercial e a continuidade da fraqueza da indústria e investimento nos EUA permitirão nova redução da taxa de juros em 25 p.b. na reunião de setembro.Na próxima semana destaque para a divulgação do PIB brasileiro do 2º trimestre na quinta-feira, projetamos alta de 0,2% na margem. Além disso, haverá a divulgação de dados pelo Banco Central sobre o setor externo na segunda-feira, crédito na quarta-feira, e fiscal consolidado na sexta-feira. Ademais, serão divulgados os dados de emprego (IBGE) de julho na sexta-feira. Na agenda internacional teremos a divulgação da taxa de desemprego, inflação ao consumidor de agosto da Zona do Euro e os dados de confiança da China, todos na sexta-feira.

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