NOSSA VISÃO – 26/08/2019 – CREDITO E MERCADO

NOSSA VISÃO – 26/08/2019 – CREDITO E MERCADO

Retrospectiva

Os mercados de risco tiveram seus preços influenciados pelo noticiário externo, concentrado nas preocupações com os sinais que mostram uma economia global menos expansiva. Ainda assim, alguns presidentes regionais do FED (Federal Reserve, o banco central americano, na sigla em inglês) não mostram disposição em reduzir ainda mais a taxa dos Fed Funds, sob o argumento de que as condições econômicas dos EUA ainda são muito boas, e que uma política de estímulos monetários poderia estimular um endividamento preocupante das pessoas. Por outro lado, o presidente Donald Trump segue pressionando para que o FED corte ainda mais o juro americano, afirmando que o juro alto dificulta o crescimento dos EUA.

Na zona do Euro, foi divulgado que o PMI (Índice de Gerentes de Compras, na sigla em inglês) composto, que engloba os setores de serviços e industrial, subiu inesperadamente de 51,5 em julho para 51,8 em agosto, que indica um avanço na atividade do bloco neste mês, ainda puxado pelo setor de serviços.

Porém, o dado mais importante foi a divulgação do CPI (inflação ao consumidor, na sigla em inglês), que recuou 1% em julho conforme divulgou a Agência Eurostat. A fraca inflação junta-se a outros sinais de abrandamento como os divulgados na semana passada que dão conta de um crescimento de 0,2% na zona euro e de uma contração da Alemanha de 0,1% no segundo trimestre do ano. O banco central alemão já avisou que a maior economia da zona euro pode entrar num ciclo de recessão.

O embate comercial entre EUA e China também segue adicionando volatilidade aos mercados. A política de “morde – assopra” do presidente dos EUA, Donald Trump, foi de um discurso que trouxe otimismo ao afirmar, no início da semana, que vem travando conversas construtivas, ainda que não esteja pronto para um acordo, até o ponto de anunciar, na sexta-feira, um aumento de tarifas de 25% para 30% sobre US$ 250 bilhões em produtos chineses. Isso após a China anunciar aumento de tarifas sobre US$ 75 bilhões em produtos e automóveis americanos.

Para os mercados de ações internacionais, a semana que passou manteve o movimento de baixa. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã, subiu 0,42% e o FTSE-100, da bolsa inglesa, recuou 0,28%, o índice S&P 500, da bolsa norte-americana, caiu 1,43% e o Nikkei 225, da bolsa japonesa, perdeu 1,46%.

Em relação à economia brasileira, na falta de indicadores expressivos as atenções voltaram-se as questões políticas. A semana foi produtiva no Congresso, com discussões sobre a reforma tributária e a aprovação da MP da liberdade econômica, que fechou sem liberar o trabalho aos domingos. Sobre a reforma da previdência, o relatório preliminar do senador Tasso Jereissati será entregue na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) nesta semana.

Para a bolsa brasileira a semana foi de queda. O Ibovespa recuou 2,14% na semana, reduzindo a variação acumulada positiva no ano para 11,13% e a de doze meses para 28,07%. O dólar comercial, por sua vez, avançou 3,01% na semana, cotado a R$ 4,122 na compra e a R$ 4,124 na venda, e o IMA-B Total encerrou a semana com recuo de 0,27%, acumulando alta de 0,54% no mês.

Relatório Focus

No Relatório Focus divulgado hoje, a média dos economistas que militam no mercado financeiro estimou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subirá 3,65% em 2019, ante 3,71% da semana anterior. Para 2020 a estimativa é de que suba 3,85%, ante 3,90% da semana anterior.

Para a taxa Selic, o mercado financeiro manteve suas projeções, Nesta semana, o relatório informou que, no fim de 2019 a taxa Selic estará em 5,00%, mesmo número da pesquisa anterior, e em 2020 em 5,25%, ante 5,50% da pesquisa anterior.

O mercado financeiro reduziu a projeção para o crescimento da economia, com a expansão do PIB ajustada para 0,80% neste ano, ante 0,83% na projeção anterior. Para 2020 a estimativa também recuou, passando de 2,20% para 2,10%.

Para a taxa de câmbio, a pesquisa mostrou que a cotação da moeda americana deverá estar em R$ 3,80 no final do ano, ante R$ 3,78 do último relatório, e em R$ 3,81 no final de 2020, mesma projeção da semana anterior.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, caracterizado pelo interesse duradouro do investimento na economia, as expectativas são de um ingresso de US$ 85 bilhões em 2019, como na última pesquisa, e de US$ 84,36 bilhões em 2020, frente a US$ 84,68 bilhões na pesquisa anterior.

Perspectiva

A semana inicia com tendência de mais volatilidade nos mercados globais, ao mesmo tempo em que dados econômicos voltaram amostrar o efeito da guerra comercial, com a desaceleração das atividades nos países da OCDE, organização internacional formada por 36 países que aceitam os princípios da economia de mercado, e com a confiança dos negócios na Alemanha se deteriorando mais do que o esperado em agosto, atingindo o menor nível em quase sete anos, após a divulgação do índice de sentimento das empresas alemãs cair de 95,8 pontos em julho para 94,3 pontos em agosto.

Do lado doméstico, destaque para a divulgação do IGP-M de agosto, n o fim da semana, e a tramitação da PEC da previdência no Senado, ao mesmo tempo em que foi divulgada pesquisa realizada pela CNT/MDA que mostrou uma queda acentuada na avaliação do governo Jair Bolsonaro, de 19% em fevereiro para 39,5% este mês, enquanto a avaliação positiva caiu de 38,9% para 29,4% no mesmo período.

Em relação às aplicações dos RPPS aconselhamos o investimento de 25% dos recursos em fundos de investimento em títulos públicos que possuem a gestão do duration, produto a ser acompanhado com a devida atenção por conta das posições assumidas pelo gestor.

Para os vértices de longo prazo (especificamente o IMA-B Total) recomendamos uma exposição de 10%.

Para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total), a recomendação é para uma exposição de 25% e para os vértices de curto prazo, representados pelos fundos DI, pelos referenciados no IRFM-1 e pelos CDBs a alocação sugerida é de 10%.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento e as exigências da nova resolução editada pelo CMN, é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo).

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição máxima de 30%, por conta da melhora do ambiente econômico neste ano, que já se refle em um melhor comportamento dos lucros das empresas e, portanto, da Bolsa de Valores e também pelo fato da importância do produto como fator de diversificação de portfolio, em um momento em que as taxas de juros dos títulos públicos não mais superam a meta atuarial.

Para a alocação em fundos multimercado a nossa sugestão é de 10% dos recursos e de 2,5% a alocação em FII e FIP, respectivamente, dada a pouca disponibilidade de produtos no mercado enquadrados para os RPPS. Para o investimento em ações, a nossa recomendação é de 15% dos recursos, tendo-se em vista o potencial de crescimento das empresas neste e nos próximos anos, como já dissemos, em uma conjuntura de baixa inflação e taxas de juros nas mínimas históricas. Muito embora ainda esteja no campo das expectativas, a implementação das reformas estruturais demandadas pelo mercado em muito também poderão influenciar o comportamento positivo das ações, no futuro.

Para aqueles clientes que já contam com investimento de 5% tanto em FII, quanto em FIP, recomendamos que o teto de investimento em ações se mantenha em 10%.

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.

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