ENFOQUE MACRO | INFORME SEMANAL E PERSPECTIVAS

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BRASIL: Produção industrial tem queda de 0,2% na margem em novembro

MUNDO: Ata do FOMC indica normalização mais acelerada da política monetária

 

A produção industrial recuou 0,2% na margem em novembro. O resultado veio em linha com a nossa expectativa mas abaixo da mediana das projeções de mercado. A variação pode ser atribuída à queda de 0,4% da indústria de transformação, influenciada negativamente sobretudo por produtos de borracha e plástico (-4,8%), metalurgia (-3,0%) e  produtos de metal (-2,7%). Contrabalançando essas retrações, destaque positivo para a fabricação de produtos alimentícios (6,8%) e fabricação de veículos (2,9%), após quedas no mês anterior. Dentre as atividades, 45,8% tiveram expansão na margem no mês, ante 29,2% em outubro. Assim, a indústria de transformação passou a se situar  3,8% abaixo do nível pré-crise. Em sentido oposto, a indústria extrativa reverteu parte da queda de outubro ao registrar alta de 5,0%, puxada por minério de ferro, e seu nível de produção passou a situar 0,8% abaixo do patamar pré-crise. A média de outubro e novembro da indústria geral é 1,4% inferior à média do 3º trimestre.

O dado revela novamente desempenho desfavorável da indústria em novembro, embora com melhor índice de difusão. Nessa leitura, os problemas de oferta associados à produção tiveram papel secundário, com boa parte da perda de demanda podendo ser atribuída ao processo de reequilíbrio entre consumo de bens e serviços. Ao longo dos próximos meses, os problemas nas cadeias de fornecimento de insumos deverão ser gradualmente superados.

A balança comercial registrou saldo de US$ 3,95 bilhões em dezembro. No acumulado do ano, o saldo é positivo em US$ 61 bilhões, 21,1% acima do saldo registrado para o mesmo período do ano anterior. Essa melhora na balança comercial é fruto das exportações (crescimento de 34%), influenciadas principalmente por aumentos das vendas de soja (+35%), minério de ferro e seus concentrados (+72,9%) e óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos (+54,3%). Em paralelo, as importações registraram alta de 38,2% na mesma base de comparação, associada a uma expansão do setor agrícola, com destaque para as compras de adubos e fertilizantes (crescimento de 89,0%). Para 2022, os maiores riscos para a balança comercial estão atrelados a uma possível redução dos preços internacionais de commodities e continuidade do elevado nível das importações no primeiro semestre do ano.

Os EUA registraram criação de 199 mil vagas de emprego em dezembro. O resultado veio abaixo da expectativa de criação de 450 mil vagas. A taxa de desemprego recuou de 4,2% para 3,9%, enquanto a taxa de participação se manteve em 61,9%. Vale mencionar que a pesquisa que compõe a parte de ocupação para a construção da taxa de desemprego (Household Survey) difere daquela que revela a criação de emprego formal (Establishment Survey). Na pesquisa Household, a ocupação avançou em mais de 600 mil vagas em dezembro. A principal novidade ficou por conta do avanço dos salários. Na margem a alta foi de 0,6%, acima do avanço de 0,4% em novembro e acima do esperado pelo mercado (0.4%). Em termos anuais, a alta foi de 4,7%.  Outro indicador relevante que revela a situação de aperto do mercado de trabalho é a média de horas trabalhadas na semana, que supera há alguns meses o patamar pré-crise, sem indicar arrefecimento.  De modo geral, o mercado de trabalho segue com sinais claros de aperto e com restrições concentradas na oferta de mão-de-obra, dado que o indicador de vagas abertas segue próxima do recorde histórico.

Ainda nos EUA, o Fed divulgou a ata da reunião de dezembro, na qual a surpresa foi a sinalização de uma subida de juros antes do esperado. Em linhas gerais, o comitê comunicou que, diante de uma leitura de inflação mais persistente e elevada do que se esperava anteriormente, o processo de normalização da taxa de juros deve ocorrer mais cedo ou em um ritmo mais acelerado do que os participantes haviam antecipado. Além disso, outra nota relevante foi a defesa de alguns membros para uma redução mais rápida do balanço patrimonial do Fed, que atualmente ainda está em trajetória de alta em virtude do programa de compras de ativos que deverá ser encerrado apenas em março.

Sobre o cenário  econômico, os membros se mostraram mais preocupados com a evolução recente dos indicadores. Nesse sentido, quase todos os membros revisaram suas projeções de inflação de 2022 para cima, justificada por aumentos em custos de moradias e aluguéis, reajustes salariais mais generalizados impulsionado pela escassez de mão de obra e atritos globais mais prolongados do lado da oferta, que podem ser intensificados pelo surgimento da variante Ômicron. Além disso, a ata do Fed também mostra uma maior preocupação com o mercado de trabalho . Segundo os participantes, o mercado de trabalho dos EUA está “muito apertado”, isto é, com uma maior razão de empresas procurando trabalhadores relativo ao número de pessoas desempregadas. Ademais, vários participantes concordaram que as condições do mercado de trabalho já estão consistentes com o pleno emprego. Portanto, o cenário revelado na ata do Fed aponta para uma maior probabilidade de banco central começar a elevação de juros nas próximas reuniões, logo após o fim do programa de compra de ativos em março.

Os índices de confiança (PMI) de dezembro apontam para a mesma direção nos EUA e Zona do Euro. O PMI Composto final da Zona do Euro, que incorpora as expectativas da indústria e dos serviços atingiu 53,3 pontos em dezembro ante 55,4 em novembro, sinalizando uma desaceleração, embora ainda se situe no nível de expansão econômica (nível acima de 50 pontos indica expansão). Tanto o índice da indústria como o de serviços tiveram reduções na margem em relação ao mês de novembro. Nos EUA, o PMI Composto apresentou recuo de 57,2 pontos para 57,0 pontos em dezembro. Apesar da desaceleração, serviços e indústria seguem em fase de expansão. Na composição dos indicadores, em linhas gerais foi observada uma melhora marginal nas condições de oferta, ainda que o cenário de custos elevados persista. Por fim, cabe mencionar o dinâmica de preços apresentada pelos indicadores, dado que houve uma queda relevante nos preços da indústria e uma elevação em serviços, conforme esperado pelo processo de rebalanceamento da economia.

Na próxima semana

Na agenda doméstica, destaque para a divulgação do IPCA na terça-feira (BRAM: 0,65%) e da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) na quinta-feira. No cenário internacional, o Índice de Preços ao Consumidor dos Estados Unidos (CPI) será divulgado quarta-feira.

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