ENFOQUE MACRO | INFORME SEMANAL E PERSPECTIVAS

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BRASIL: IPCA varia 1,25% em outubro e acumula alta de 10,7% em 12 meses

MUNDO:  Nos EUA, dados de inflação surpreendem as expectativas

A inflação medida pelo IPCA registrou variação de 1,25% em outubro e acumula alta de 10,7% nos últimos 12 meses. O resultado ficou acima da nossa projeção (1,01%) e do consenso de mercado (1,07%), após alta de 1,16% registrada em setembro. As surpresas observadas no mês de outubro são explicadas, em maior parte, pela alta de bens industriais e serviços, como por exemplo alimentação fora do domicílio.  Em relação a bens industriais, podemos destacar vestuário (1,80%), automóvel novo (1,77%), produtos de higiene pessoal (0,51%), aparelhos eletroeletrônicos (1,27%), com destaque dentro desse último grupo para eletrodomésticos e equipamentos (1,54%).

Na mesma linha, na parte de serviços, o subgrupo de recreação (1,7%) continua sendo um dos destaques, mantendo uma tendência de aceleração desde maio e atingindo 7,6% no acumulado em 12 meses. Além disso, parte da alta em serviços é ainda explicada por passagens aéreas, com variação de 33,9%, ante 28,2% em setembro. Por último, no grupo de alimentação no domicílio, os destaques de alta em outubro foram os tubérculos, raízes e legumes (14,1%) e aves e ovos (3,2%), enquanto cereais, hortaliças e carnes apresentaram quedas nos preços mensais.  Com relação aos núcleos de inflação, que são métricas que excluem ou suavizam a variação de preços de itens voláteis, houve nova aceleração da média móvel de 3 meses dessazonalizada e anualizada (9,9%) bem como do acumulado em 12 meses (7,0%). Diante desse cenário, revisamos nossa projeção para o IPCA deste ano para 10,3%.

De maneira geral, o cenário inflacionário segue desafiador. Ocorreram surpresas em praticamente todas aberturas. A reversão da alta de bens industriais não está ocorrendo. Inclusive, na última divulgação voltou a acelerar, aumentando a preocupação em relação a possibilidade de ver a dissipação desse choque de preços nos primeiros meses de 2022. Em 2021, destacamos que o pico de inflação deve ser alcançado em novembro, com variação de 10,9% no acumulado de 12 meses, e encerrando o ano em 10,3%.

Em setembro, as vendas no varejo no conceito restrito recuaram 1,3% frente a agosto, abaixo das expectativas. Nossa expectativa para o indicar no mês de setembro era de queda de –0,8%, enquanto a mediana do mercado apresentava reajuste de –0,6%. Dentre os setores que compõem o varejo restrito, o único setor que apresentou crescimento na margem foi o setor de artigos farmacêuticos (0,1%). A maior contribuição negativa veio de hipermercados (-1,5%), cujas vendas seguem prejudicadas pela alta inflação de alimentos, embora ainda se situem 0,4% acima do nível pré-crise. O comércio ampliado, que inclui vendas de automóveis e material de construção, também surpreendeu negativamente ao registrar queda de 1,1% no mês, abaixo de nossa projeção (-0,4%) e do mercado (-0,2%). Houve queda tanto das vendas de veículos (-1,7%) como de materiais de construção (1,1%). Em linhas gerais, em que pesem os efeitos dos maiores preços de alimentos e combustíveis, o resultado decepcionante do comércio em setembro parece indicar um processo de substituição entre o consumo de bens e serviços.

O volume total de serviços teve queda de 0,6% na margem em setembro. Na comparação anual, a variação foi de 11,4%, abaixo de nossa projeção (13,0%) e a mediana das expectativas de mercado (13,5%). Com isso, o volume total de serviços passou a se situar 2,9% acima do nível pré-crise. Dentre os setores que compõem o índice, apenas serviços prestados às famílias tiveram crescimento no mês, de 1,3%. O setor, que inclui alojamento e alimentação, foi beneficiado pela maior mobilidade no mês, embora ainda se situe 16,4% abaixo do patamar pré-crise. As maiores contribuições negativas vieram de serviços de transporte (-1,9%), puxados por transporte terrestre e aéreo, e outros serviços (-4,7%), setor que contempla, dentre outros, serviços financeiros e seguros. Ademais, influenciados pelo desempenho negativo da indústria no mês, tiveram queda os serviços profissionais, administrativos e complementares (-1,1%), bem como serviços de informação e comunicação (-0,9%). Apesar do resultado negativo, esperamos continuidade do avanço do setor de serviços ao longo dos próximos meses, sobretudo do segmento relacionado às famílias.

Nos EUA, a inflação ao consumidor (CPI) apresentou variação acima da expectativa em outubro. O CPI variou 0,9% na comparação mensal, enquanto o núcleo da inflação, métrica que exclui a inflação com alimentos e combustíveis e costuma receber mais atenção por parte das autoridades monetárias, avançou 0,6% frente a setembro. Em termos anuais, o núcleo do CPI teve variação de 4,6%, com alta de 3,3% em serviços e de 8,5% em bens. Diferentemente das últimas leituras, o indicador de outubro revela uma alta de preços mais disseminada entre os componentes. A inflação ao produtor (PPI), por sua vez, registrou variação de 0,6% ante 0,5% em setembro. Em termos anuais houve alta de 8,6%, em linha com as expectativas de mercado. A pressão sobre a cadeia de bens, a alta nos preços de energia, o aumento de preços de imóveis (impactando os aluguéis) e a recomposição da demanda por serviços tendem a manter a inflação acima da meta até 2022.

Por fim, na China, a inflação ao consumidor (CPI) apresentou alta de 1,5% em outubro na comparação anual. O resultado ficou acima do esperado pelo mercado (1,4%), representando uma aceleração em relação ao mês de setembro (0,7%). O principal motivo foi a maior contribuição da inflação de produtos não alimentícios que avançaram 2,4%, enquanto produtos alimentícios tiveram deflação de 2,4% na comparação anual. O núcleo da inflação (que exclui os itens mais voláteis da amostra) apresentou alta de 1,4%, mesma variação do mês anterior. A inflação ao produtor (PPI), por sua vez, registrou nova surpresa altista, com alta de 13,5% em termos anuais, ante expectativa do mercado de 12,5%.  A transmissão da inflação mais alta ao produtor para os preços ao consumidor segue bastante comedida, o que permite a manutenção da política monetária expansionista.

Na próxima semana

Na agenda doméstica, destaque para a divulgação do índice de atividade econômica do Banco Central (IBC-Br) na terça-feira. No cenário internacional, serão divulgados os dados de vendas no varejo e produção industrial para China e Estados Unidos.

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