ENFOQUE MACRO | INFORME SEMANAL E PERSPECTIVAS

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BRASIL: Ata reforça o cenário de Selic em patamar significativamente contracionista

MUNDO:  Fed anuncia o início do processo de redução do programa de compra de ativos

Na ata da última reunião do comitê de política monetária (COPOM), na qual a Selic foi elevada de 6,25% para 7,75%, os membros reforçaram que o grau de aperto monetário deverá ser significativamente mais contracionista do que o utilizado no cenário básico. Essa percepção decorre dos recentes questionamentos fiscais que, ao elevar o risco de desancoragem das expectativas de inflação, aumentaram a assimetria altista no balanço de riscos. Com isso, cenários alternativos, com taxas de juros neutras mais elevadas, aumentaram sua probabilidade de ocorrência na visão do Comitê. Diante desse cenário, diversas simulações foram realizadas com diferentes trajetórias de política monetária para avaliar a convergência da inflação para as metas, inclusive cenários com ritmos de ajuste maiores que 1,5 p.p. A trajetória de 1,5 p.p foi a escolhida, pois é consistente, nesse momento, com a convergência para a meta em 2022.  Reconhecendo a piora no balanço de riscos para a inflação, revisamos a nossa projeção de Selic para o final do atual ciclo de aperto de juros de 10,50% para 11,50%.

A produção industrial recuou 0,4% na margem em setembro. O resultado veio abaixo da nossa expectativas e da mediana das projeções (-0,2%). A queda pode ser atribuída tanto à indústria de transformação (-0,2%) que passou a se situar 2,9% abaixo do nível pré-crise, como à indústria extrativa, que apresentou queda de 0,3%, devido à menor produção de petróleo. Na indústria de transformação, as maiores contribuições negativas vieram da fabricação de produtos alimentícios (-1,3%), da metalurgia (-2,5%) e da fabricação de outros equipamentos de transporte (-7,6%). Contrabalançando essas quedas, houve avanço da fabricação de produtos químicos (6,5%) e do refino de petróleo (1,0%). Dentre as atividades, 58,3% tiveram expansão na margem no mês, ante 41,7% em agosto. A média dos dados da produção total no terceiro trimestre representa queda de 1,7% na margem. A leitura revela novo desempenho ruim da indústria em setembro. Ainda, os problemas de oferta ligados ao suprimento de insumos e componentes persistem e são intensificados pela dificuldade de restabelecimento da cadeia de suprimentos global. Entretanto, o baixo nível de estoques impulsiona a indústria para normalização da produção no médio prazo.

Nos EUA, o Fed anunciou o início do processo de redução do programa de compras de ativos. Conforme amplamente esperado, o Comitê anunciou que a partir do final de novembro as compras de títulos (atualmente em US$ 80 bilhões ao mês) serão reduzidas mensalmente em US$ 10 bilhões, enquanto os títulos do mercado imobiliário (atualmente em US$ 40 bilhões ao mês) serão reduzidos mensalmente em US$ 5 bilhões. Nesse ritmo, que poderá ser alterado segundo o comunicado, o programa de compras seria finalizado em meados do próximo ano. A respeito do cenário, a leitura de que a inflação é majoritariamente transitória prevalece. Na entrevista após a reunião, o presidente do Fed, Jerome Powell, defendeu a necessidade de ser paciente quando perguntado sobre a possiblidade de alta de juros imediatamente  após o fim do programa de compras, reforçando em sua argumentação o quadro de incerteza sobre a dissipação dos choques de inflação, assim como a recuperação plena do mercado de trabalho. Avaliamos que o Fed deverá encerrar o programa de compras em junho e iniciar um processo de alta gradual dos juros no final de 2022.

Os EUA registraram surpresa positiva no mercado de trabalho, com a criação de  531 mil vagas de emprego em outubro. A expectativa era de criação de 450 mil vagas. A taxa de desemprego recuou de 4,8% para 4,6%, contando com a manutenção da taxa de participação em 61,6%. O número de empregados ainda se mantém cerca de 4 milhões abaixo do pré-crise. Já a população economicamente ativa (PEA) segue cerca de 3 milhões abaixo do pré-crise. Na composição do número, do lado negativo, destaque para a destruição de 73 mil vagas no setor público, enquanto o setor privado acelerou o ritmo de criação de setembro de 365 mil vagas para 604 mil vagas. Os salários avançaram 0,4% na margem, abaixo do avanço de 0,6% em setembro. Os números ainda revelam que a oferta de mão de obra segue como principal dúvida acerca da velocidade de recuperação do mercado de trabalho, dado que outras pesquisas apontam aumento recorde nas vagas abertas. Em nossa avaliação, com fim definitivo dos auxílios em setembro, a tendência é de aceleração no ritmo de criação de vagas nos próximos meses.

Os índices de confiança (PMI) de outubro apontam direções distintas entre EUA e Zona do Euro. O PMI Composto final da Zona do Euro, que incorpora as expectativas da indústria e dos serviços atingiu 54,2 pontos em outubro ante 56,2 em setembro, sinalizando uma pequena desaceleração, embora ainda se situe no nível de expansão econômica (nível acima de 50 pontos indica expansão). Tanto o índice da Indústria como o de Serviços tiveram reduções na margem contra o mês de setembro. Nos EUA, o PMI Composto apresentou alta, com um avanço de 55,0 pontos para 57,6 pontos em outubro. Essa aceleração se concentrou em serviços, de 54,9 em setembro para 58,7 pontos em outubro.

De modo geral, em ambas as regiões o que chama atenção é a resiliência da demanda e a dificuldade da oferta em atender os pedidos, principalmente pela falta de insumos e de mão de obra. Esse cenário tem implicado pressão sobre custos e, consequentemente, aumento da inflação.

Na próxima semana

Na agenda doméstica, destaque para os dados de IPCA na quarta-feira e para dados da pesquisa mensal do comércio e de serviços na quinta e sexta-feira, respectivamente. No cenário internacional serão divulgados os dados de inflação ao consumidor e ao produtor nos Estados Unidos e China. Na Zona do Euro, destaque para dados de produção industrial.

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