ENFOQUE MACRO | INFORME SEMANAL E PERSPECTIVAS

ENFOQUE MACRO | INFORME SEMANAL E PERSPECTIVAS

BRASIL: Conta corrente acumula déficit de US$ 21 bilhões em 12 meses

MUNDO:  Nos EUA, dados da indústria apresentam desaceleração da atividade

 O saldo em conta corrente registrou déficit de US$ 1,7 bilhão em setembro. O déficit acumulado em 12 meses soma US$ 20,7 bilhões (1,3% do PIB), montante mais do que compensado pela entrada de investimentos direto no país (IDP) no mesmo período, que soma US$ 50,4 bilhões (3,1% do PIB). A piora em relação ao saldo de US$ 0,35 bilhão em setembro de 2020 decorreu do menor saldo da balança comercial (US$ 2,5 milhões), do déficit em renda primária (US$ 3,1 bilhão) e do déficit na conta de serviços (US$ 1,4 bilhão). Em termos de fluxo financeiro, o ingresso líquido em investimento direto no país (IDP) somou US$ 4,5 bilhões no mês, ante US$ 3,4 bilhões em setembro de 2020. Com base nos dados preliminares de outubro, o Banco Central  estima novo déficit em transações correntes, de US$ 4,2 bilhões no mês. Nas nossas projeções, o déficit em transações correntes deverá encerrar o ano no patamar de -0,7% do PIB.

A balança comercial registrou saldo de US$ 0,25 bilhões na terceira semana de outubro, acumulando saldo positivo de US$ 2,18 bilhões no mês. No acumulado do ano, o saldo é positivo em US$ 53,1 bilhões, acima dos US$ 48,8 bilhões registrados no mesmo período de 2020. Essa melhora da balança comercial é fruto das exportações, que na média diária do mês registram alta de 40% na comparação interanual, puxadas por soja, minério de ferro, óleos brutos de petróleo e proteínas. Em contrapartida, as importações registraram alta de 54,8% na mesma base de comparação, beneficiadas pela recuperação da atividade doméstica e pelo maior nível de compra de bens intermediários, atrelado à necessidade de reposição de estoque das empresas. Do lado das importações, o grande destaque do mês foram as compras de adubos e fertilizantes. Além disso, vale destacar a prorrogação dos embargos nos embarques de carne bovina para a China, que persiste a mais de 6 semanas por causa dos dois casos atípicos de Vaca Louca na região de Minas Gerais.

A produção da indústria nos EUA apresentou queda de 1,3% em setembro, com recuo de 0,7% da indústria de transformação. O resultado ficou abaixo da expectativa mediana do mercado (0,2%), após recuo de -0,1% do índice em agosto. Destaque para a produção de bens duráveis (-1,2%), em especial a produção de motores e peças de veículos (-7,2%), setor prejudicado pela escassez de semicondutores. A indústria de transformação segue praticamente nos mesmo patamar pré-crise.

A utilização da capacidade instalada (NUCI) diminuiu, passando de 76,2% em agosto para 75,2% em setembro. O NUCI segue 5,6 p.p. abaixo do nível da média histórica de longo prazo (1972 – 2020). Em virtude de baixos estoques e impulso da demanda, a trajetória da indústria deve apresentar recuperação. Entretanto, os choques de ofertas nas cadeias de suprimento global e os efeitos persistentes do furacão Ida apresentam empecilhos para a produção industrial, em especial para o setor de bens duráveis  com a queda na fabricação de semicondutores, que depende da mineração.

Na China, o PIB avançou 4,9% no terceiro trimestre, ante 7,9% no trimestre anterior, abaixo da expectativa do mercado (5,0%). Com relação ao desempenho da atividade em setembro, a produção industrial, na comparação interanual, avançou 3,1%, abaixo do consenso de mercado (3,8%). Já as vendas no varejo tiveram expansão de 4,4%, acima da (3,5%), enquanto os investimentos em ativos fixos (FAI) expandiram 7,3%, ante expectativa de 7,9%. Nossa expectativa é de crescimento de 8,1%, embora as recentes frustrações insiram viés de baixa para a projeção. Esse viés de baixa também se mantém para a projeção de 5% em 2022, decorrente da incerteza que envolve o desempenho do mercado imobiliário.

As prévias dos índices de confiança (PMI) de outubro apontam direções opostas entre  EUA e Zona do Euro. O PMI Composto prévio da Zona do Euro, que incorpora as expectativas da indústria e dos serviços atingiu 54,3 pontos em outubro ante 56,2 em setembro, sinalizando uma pequena desaceleração, embora ainda se situe no nível de expansão econômica (nível acima de 50 pontos indica expansão). Tanto o índice da Indústria como o de Serviços tiveram reduções na margem contra o mês de setembro, no entanto a desaceleração na margem foi mais forte no  último, que recuou de 56,4 para 54,7 pontos. Nos EUA, o PMI Composto pelo terceiro mês consecutivo apresentou alta, com um avanço de 55,0 pontos para 57,3 pontos em outubro. Essa aceleração concentrou em serviços, de 54,9 em setembro para 58,2 pontos em outubro. De modo geral, em ambas as regiões o que chama atenção é a resiliência da demanda e a dificuldade da oferta em atender os pedidos, principalmente pela falta de insumos e de mão de obra. Esse cenário tem implicado pressão sobre custos e, consequentemente, aumento da inflação.

Na próxima semana

Na agenda doméstica, destaque para os dados de IPCA-15 na terça feira e para a reunião do comitê de política monetária na quarta-feira, para a qual esperamos aumento da taxa SELIC em 125 pb. No cenário internacional serão divulgados os dados do PIB trimestral de Estados Unidos e Zona do Euro, além da reunião do Banco Central Europeu na quarta-feira.

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