ENFOQUE MACRO | INFORME SEMANAL E PERSPECTIVAS

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BRASIL: IPCA varia 1,16% em setembro e acumula alta de 10,2% em 12 meses

MUNDO:  Nos EUA, criação de vagas frustra as expectativas em setembro

A inflação medida pelo IPCA registrou variação de 1,16% em setembro e acumula alta de 10,2% nos últimos 12 meses. O resultado ficou abaixo de nossa projeção (1,26%) e do consenso de mercado (1,25%), após alta de 0,87% registrada em agosto. A aceleração em relação ao IPCA do mês anterior, é explicada em maior parte pela alta de energia elétrica, causada pelo acionamento da bandeira tarifária escassez hídrica, e pela aceleração de passagens aéreas. No entanto, a despeito desses fatores pontuais, a composição segue desfavorável. Nesse sentido, apesar da desaceleração da inflação de alimentos, a inflação de bens industriais permaneceu em nível elevado em momento no qual a inflação de serviços se revela mais disseminada com a reabertura da economia. Dentre os grupos que compõem o índice, as surpresas baixistas vieram principalmente de transportes (combustíveis e conserto de veículos ) e alimentação no domicílio (produtos in natura e carnes). Com relação aos núcleos de inflação, que são métricas que excluem ou suavizam a variação de preços de itens voláteis, houve nova aceleração da média móvel de 3 meses dessazonalizada e anualizada (8,9%) bem como do acumulado em 12 meses (6,5%). Nossa projeção para o IPCA deste ano é de 8,8%.

As vendas no varejo no conceito restrito recuaram 3,1% em agosto frente a julho, contrariando as expectativas de alta. Dentre os setores que compõem o varejo restrito, o único setor que apresentou crescimento na margem foi o setor de tecidos, vestuário e calçados (1,1%), cujas vendas ainda se situam 4,6% abaixo do nível pré-crise, e artigos farmacêuticos (0,2%). A maior contribuição negativa veio de outros artigos de uso pessoal e doméstico (-16%), setor que engloba lojas de departamentos, óticas, artigos esportivos e brinquedos e reverteu parcialmente o grande crescimento de julho. Influenciadas negativamente pela escalada de preços, tiveram recuo as vendas de hiper e supermercados (-0,9%) e combustíveis e lubrificantes (-2,4%). O comércio ampliado, que inclui vendas de automóveis e material de construção, também surpreendeu negativamente ao registrar queda de 2,5% no mês, abaixo de nossa projeção (-1,4%) e do mercado (-0,7%). O crescimento de 0,7% das vendas de veículos em agosto foi contrabalançado pela queda de 1,3% das vendas de materiais de construção—que no entanto ainda se situam 12,7% acima do nível pré-crise. Em linhas gerais, apesar da alta volatilidade de alguns segmentos, o resultado do comércio neste mês pode indicar o início de um processo de substituição entre o consumo de bens e serviços – ponto este que poderá ser corroborado com os dados de serviços na próxima semana.

A produção industrial recuou 0,7% na margem em agosto. O resultado veio abaixo das expectativas. A queda pode ser atribuída à indústria de transformação (-0,7%) que passou a se situar 2,4% abaixo do nível pré-crise. A indústria extrativa, por sua vez, teve crescimento de 1,3%, devido à maior produção de minério de ferro. Dentre as atividades, 37,5% tiveram expansão na margem no mês, ante 25% em julho. Na indústria de transformação, destaque para o recuo da fabricação de outros produtos químicos (-6,4%), de veículos automotores (-3,1%) e do refino de petróleo (-2,6%). A produção de insumos típicos da construção civil teve recuo de 0,1% no mês, embora ainda se situe 10,6% acima do nível pré-crise. A média dos dados da produção total de julho e agosto representa queda de 1,4% em relação à média do 2º trimestre desse ano, com -1,7% da transformação e -0,3% da extrativa, deixando um carrego negativo para o trimestre. A leitura revela que problemas de oferta ligados ao suprimento de insumos e componentes ainda persistem e são intensificados pela dificuldade de restabelecimento da cadeia de suprimentos global. Entretanto, o baixo nível de estoques deverá impulsionar a indústria no médio prazo.

 Os EUA registraram nova surpresa negativa no mercado de trabalho, com a criação de 194 mil vagas de emprego em setembro. A expectativa era de criação de 500 mil vagas. A taxa de desemprego recuou de 5,2% para 4,8%, contando com um recuo da taxa de participação, de 61,7% para 61,6%. O número de empregados ainda se mantém cerca de 4 milhões abaixo do pré-crise. Já a população economicamente ativa (PEA) segue cerca de 3 milhões abaixo do pré-crise. Na composição do número, destaque para a destruição de 123 mil vagas no setor público, enquanto o setor privado manteve o ritmo de criação de agosto, com 317 mil vagas. Os números ainda revelam alguma hesitação da mão de obra no retorno ao mercado de trabalho, apesar da expiração dos benefícios temporários no início de setembro. Essa questão da oferta de mão de obra segue como principal dúvida acerca da velocidade de recuperação do mercado de trabalho, dado que outras pesquisas apontam aumento recorde nas vagas abertas. Em nossa avaliação, as recentes frustrações não devem impedir o Fed de iniciar a redução das compras de ativos em dezembro.

Os índices de confiança (PMI) de setembro apontam desaceleração da atividade empresarial nos EUA e Zona do Euro. Nos EUA, a prévia do indicador composto recuou para 54,5 pontos ante 55,4 em agosto. Já na Zona do Euro, o PMI Composto atingiu 56,2 pontos,  cedendo 2,9 pontos em relação ao mês de agosto. Embora os indicadores apresentem expansão, as restrições de oferta têm implicado alguma perda de momento da atividade na duas regiões nesse segundo trimestre.

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