ENFOQUE MACRO | INFORME SEMANAL E PERSPECTIVAS

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BRASIL: IPCA apresenta surpresa de alta em agosto

MUNDO: BCE sinalizou moderação das compras de ativos nos próximos meses

 

A inflação medida pelo IPCA registrou variação de 0,87% em agosto e acumula alta de 9,68% nos últimos 12 meses. O resultado ficou acima de nossa projeção (0,70%) e do consenso de mercado (0,71%), ante alta de 0,96% registrada em julho. Apesar da desaceleração em relação ao IPCA cheio do mês anterior, explicada principalmente pela dissipação da alta de energia elétrica em julho, a leitura de agosto teve uma pior composição. Se por um lado a inflação de bens industriais permaneceu em nível elevado, por outro lado a inflação de serviços revelou pressão mais disseminada com a reabertura da economia. Dentre os grupos que compõem o índice, as surpresas altistas vieram principalmente de transportes (gasolina, conserto de veículos e automóveis novos) e alimentação (aves e ovos, café e leite e derivados). Com relação aos núcleos de inflação, que são métricas que excluem ou suavizam a variação de preços de itens voláteis, houve nova aceleração da média móvel de 3 meses dessazonalizada e anualizada (8,1%) bem como do acumulado em 12 meses (6,1%)

De maneira geral, o cenário inflacionário segue desafiador. Acreditamos que a inflação continuará pressionada em setembro por alimentação no domicílio, combustíveis e pelo reajuste adicional de energia elétrica (tendo em vista a nova bandeira de escassez hídrica). Nos próximos meses, seguem riscos de alta decorrentes, principalmente, de problemas de oferta persistentes em bens industrializados e da reabertura mais rápida de serviços. Para o fim deste ano, projetamos inflação de 8,3%.

As vendas no varejo no conceito restrito avançaram 1,2% em julho frente a junho. Em um mês que contou com menores restrições de mobilidade, o resultado veio acima das expectativas de mercado. Dentre os componentes, a maior contribuição positiva na margem veio de outros artigos de uso pessoal e doméstico com avanço de 19,1% na margem. O setor engloba lojas de departamentos, óticas, joalherias, artigos esportivos e brinquedos e se beneficiou da maior mobilidade no mês, sobretudo em shopping centers. Outro destaque positivo foi o setor de tecidos, vestuário e calçados, com alta de 2,8%. No varejo ampliado, que inclui todos os componentes do conceito restrito e adiciona as vendas de automóveis e materiais de construção, houve crescimento de 1,1% na margem, contrariando as expectativas do mercado de queda. As vendas de veículos tiveram alta de 0,2%, enquanto as vendas de materiais de construção recuaram 2,3%. Com o resultado, o volume de vendas tanto no varejo restrito como no ampliado se manteve acima do patamar pré-crise. Em linhas gerais, o resultado revela os efeitos da reabertura da economia, movimento que continuará ao longo do trimestre em curso.

A balança comercial registrou saldo de US$ 7,7 bilhões no mês de agosto, acumulando saldo positivo de US$ 46,6 bilhões em 2021. No acumulado de 12 meses, o saldo é positivo em US$ 61,9 bilhões. Esse resultado bastante positivo da balança comercial é fruto da alta das exportações que, na média diária mensal, registram expansão de 33,1% na comparação interanual, puxadas por soja, minério de ferro, óleos brutos de petróleo e carne bovina. As importações, por sua vez, registraram alta de 39,3% na mesma base de comparação, beneficiadas pela recuperação da atividade doméstica e pelo maior nível de compra de bens intermediários, atrelado à necessidade de reposição de estoque das empresas. O crescimento das exportações deve seguir favorecido pelo crescimento da atividade global e pelos elevados preços de commodities, o que contribuirá para saldos comerciais expressivos ao longo de 2021.

 O Banco Central Europeu (BCE) sinalizou moderação das compras de ativos nos próximos meses. Ainda, o BCE decidiu manter o patamar da taxa de depósito em -0,5%, da taxa de refinanciamento em 0,0% e da taxa de empréstimo em 0,25%. O total do Programa Pandêmico de Compras Emergenciais (PEPP, na sigla em inglês) foi mantido em € 1,85 trilhão em compra de ativos, com horizonte de compras até março de 2022 ou até o BCE julgar que a crise atual tenha se encerrado. No entanto, ao contrário das últimas reuniões, os membros do BCE julgam que o ritmo de compra de ativos relacionadas ao PEPP deverá ser moderado nos próximos meses. Ainda com a projeção no horizonte mais longo (2023) distante da meta (1,5% ante 2%), o BCE deverá manter a política monetária acomodatícia por um período prolongado.

Por fim, a inflação ao consumidor (CPI) na China apresentou alta de 0,8% em agosto na comparação anual. O resultado ficou abaixo do esperado (consenso de 1,1%), representando uma desaceleração inesperada em relação ao mês de julho (1,0%). O principal motivo pelo menor resultado veio pela surpresa da menor contribuição da inflação de alimentos, que passou de uma deflação de 3,7% para deflação de 4,1%, na comparação anual. O núcleo da inflação (que exclui os itens mais voláteis da amostra) também contribuiu para um resultado abaixo da mediana de mercado, ao desacelerar de 1,3% para 1,2%. A inflação ao produtor (PPI), por sua vez, registrou surpresa altista, com alta de 9,5% em termos anuais, ante expectativa do mercado de 8,5%. Até o momento, o repasse do PPI para o CPI tem se mostrado comedido, o que deve dar conforto para o banco central do país manter a política monetária expansionista, inclusive com novos cortes da taxa de depósito compulsório nos próximos meses.

 Na próxima semana

 Na agenda doméstica, destaque para a divulgação dos dados de serviços de julho, na terça-feira, e para o IBC-Br, na quarta-feira. Internacionalmente, destaque para os dados de inflação nos Estados Unidos (terça-feira) e Europa (sexta-feira), e para os dados de produção industrial e vendas no varejo nos Estados Unidos na quarta-feira e quinta-feira, respectivamente.

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