ENFOQUE MACRO | INFORME SEMANAL E PERSPECTIVAS

ENFOQUE MACRO | INFORME SEMANAL E PERSPECTIVAS

BRASIL: IPCA-15 varia acima do esperado em agosto

MUNDO:  Indicadores de confiança corroboram continuidade do crescimento

Em agosto, a prévia da inflação ao consumidor (IPCA-15) variou 0,89%. O resultado  veio acima de nossa projeção e da mediana do mercado, ambas em 0,83%. A inflação acumulada em 12 meses apresentou nova aceleração,  de 8,9% em julho para 9,3% em agosto. A desaceleração em relação ao IPCA fechado de julho se deveu a itens administrados, como energia elétrica e gasolina. A principal surpresa altista ocorreu em Transportes, com aceleração mais intensa do que o esperado (1,11% ante 1,07% em julho), devido a automóveis novos e usados e combustíveis. Ademais, destaque para as altas acima do esperado em Despesas Pessoais (0,68% ante 0,36% em julho), com influência de Recreação, Vestuário (0,94%, ante 0,58%) e Artigos de Residência (1,05% ante 0,81%). Com relação aos núcleos, que são métricas que excluem ou suavizam itens com inflação volátil, a leitura de agosto também revelou uma piora do quadro inflacionário. A média dos núcleos teve variação de 0,57% e, no acumulado em doze meses, passou de 5,3% para 5,7%.

De modo geral, as leituras mais recentes de inflação confirmam aceleração de preços de serviços com a reabertura da economia. A inflação de bens, no entanto, não mostra tendência clara de desaceleração, como seria esperado nesse quadro. O cenário inflacionário para os próximos meses, portanto, segue pressionado. Os riscos de alta advêm tanto dos preços de alimentos, com problemas de oferta de produtos in natura e proteínas, como de bens, com os baixos estoques e escassez de insumos ainda afetando os preços. Ademais, o risco advindo da crise hídrica não pode ser minimizado: nos próximos dias, é provável que a tarifa de energia elétrica seja novamente reajustada, com impacto considerável sobre a inflação de 2021. Para o final deste ano, revisamos nossa projeção de IPCA de 7,3% para 7,4%.

Dados de emprego formal (Caged) de julho mostraram criação de 317 mil vagas. O resultado foi superior à nossa expectativa e à mediana do mercado. Considerando a série com ajuste sazonal, o saldo foi positivo em 283 mil postos de trabalho, frente a 284 mil em junho, 247 mil em maio e 73 mil em abril. Na abertura por setor, a maior parte dos segmentos registrou resultado positivo, com destaque para serviços (145,7 mil ante 132,8 mil) e comércio (81,5 mil ante 87,1 mil). Por trás do maior saldo está o recuo de demissões (4,0%) em ritmo superior à queda de admissões (3,3%). Ainda assim, o patamar de contratações supera em 23% o nível pré-crise. Os dados do Caged sugerem uma atividade econômica firme em julho.

O saldo em conta corrente registrou déficit de US$ 1,6 bilhão em julho. O déficit em conta corrente acumulado em 12 meses soma US$ 20,34 bilhões (1,3% do PIB), sendo ainda mais do que compensado pela entrada de investimentos direto no país (IDP) no mesmo período, que soma US$ 47,5 bilhões (3,0% do PIB). O fluxo financeiro foi a grande surpresa no mês, acumulando entrada de US$ 6,1 bilhões, acima da expectativa de US$ 4,5 bilhões. O cenário segue favorável tanto para o saldo de transações correntes no agregado de 2021, que deve ser impulsionado nos próximos meses por maiores saldos de balança comercial, como para o fluxo financeiro. Para o ano, projetamos um superávit na conta corrente de US$ 1,5 bilhão.

Arrecadação federal acima do esperado em julho, com surpresa positiva disseminada entre os componentes. A arrecadação total atingiu R$ 171 bilhões, o que representa alta de 35,5% em termos reais na comparação interanual com 2020 e 11,5% com relação a 2019. No ano, a arrecadação acumula R$ 1.053 bilhões, avanço de 26,1% e 7% em termos reais ante 2020 e 2019, respectivamente. Segundo a Receita Federal, sem considerar os efeitos não recorrentes, o avanço é de 14,8% no período acumulado. Os números seguem consistentes com a recuperação da atividade.

As prévias dos índices de confiança (PMI) de agosto vieram ligeiramente abaixo do esperado, mas ainda corroboram o cenário de crescimento robusto. O PMI Composto prévio da Zona do Euro, que incorpora as expectativas da indústria e dos serviços atingiu 59,5 pontos em agosto ante 60,2 em julho, sinalizando a continuidade da expansão da economia (nível acima de 50 pontos indica expansão). Tanto a parcela da Indústria e de serviços tiveram reduções na margem contra o mês de julho, no entanto a desaceleração na margem se concentrou na parcela de manufatura, que recuou de 62,8 para 61,5 pontos. No Reino Unido, o índice também apresentou desaceleração mais elevada na margem, passando de 59,2 para 55,3. Nos EUA, o PMI Composto pelo segundo mês consecutivo apresentou queda, com um recuo de 59,9 pontos para 55,4 pontos entre julho e agosto. Essa desaceleração concentrou em serviços, que recuou de 59,9 para 55,2 pontos.

De modo geral, os números revelam ainda um efeito positivo sobre a demanda de consumo e investimento diante do aumento da mobilidade, mas ressaltam o problema do aumento de custos. O atraso nas entregas persiste, assim como a pressão de custos insumos e salários. Além disso, o aumento de casos da COVID-19 causados pela nova variante Delta é um risco iminente para o avanço nos próximos meses na oferta de produtos e nas expetativas futuras dos índices de confiança do mercado. Acreditamos que esse risco materializará de modo a produzir uma queda significativa da atividade global.

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