ENFOQUE MACRO | INFORME SEMANAL E PERSPECTIVAS

ENFOQUE MACRO | INFORME SEMANAL E PERSPECTIVAS

BRASIL: Comércio e serviços têm altas acima do esperado em fevereiro

MUNDO:  Estímulos nos EUA geram reação da atividade e da inflação em março

 

As vendas no varejo no conceito restrito tiveram alta de 0,6% em fevereiro frente a janeiro. O resultado veio em linha com nossa projeção e próximo ao consenso de mercado (de 0,7%). Dentre os componentes, destaque para as altas de móveis e eletrodomésticos           (9,3%), tecido, vestuário e calçados  (7,8%) e hiper e supermercados (0,8%). Vale notar, no entanto, que boa parte da alta na série com ajuste sazonal  se deveu a um contexto atípico, em um mês no qual o feriado de Carnaval foi suspenso em parte do país. O varejo ampliado, que inclui todos os componentes do conceito restrito e adiciona as vendas de automóveis e materiais de construção, apresentou alta de 4,1% na margem em fevereiro, muito acima da nossa projeção e do mercado. As vendas de automóveis tiveram alta de 8,8% no mês e foram somadas ao avanço de 2,0% de materiais de construção. Com o resultado de janeiro, o volume de vendas em ambas as métricas (restrito e ampliado) voltaram a se situar acima do patamar pré-crise. No entanto, a evolução do comércio em março será fortemente prejudicada pelo agravamento da pandemia e pelo consequente recrudescimento das medidas de isolamento social.

Ainda em fevereiro, o volume total de serviços prestados avançou 3,7% na margem. Na comparação anual, a variação foi de -2,0%, resultado menos negativo que a nossa projeção (de -4,0%) e que a mediana do mercado (-3,5%). Com isso, pela primeira vez o volume total de serviços passou a se situar acima do nível pré-crise, com ganho de 0,2% desde o começo de 2020. Apesar de todos os setores terem apresentado alta na margem, as maiores contribuições positivas vieram de transporte, armazenagem e correio (+4,4%), influenciados pelo comércio eletrônico no período, e serviços profissionais, administrativos e complementares (+3,3%). Os serviços prestados às famílias, mais afetados pela pandemia por abrangerem serviços não essenciais como hospedagem e alimentação, tiveram alta de 8,8% na margem, embora seu volume ainda se situe 24,1% abaixo  do nível pré-crise. Assim como no caso do comércio, boa parte das altas pode se dever ao ajuste sazonal em um mês atípico, no qual o feriado de Carnaval foi suspenso em muitos estados. Em março e abril, o recrudescimento da pandemia e das restrições de mobilidade devem causar queda dos serviços prestados. A evolução subsequente do setor despenderá sobretudo da  velocidade da vacinação no país.

No cenário internacional, a China mostrou crescimento um pouco abaixo do esperado no primeiro trimestre. Na comparação com igual período do ano anterior, a economia chinesa mostrou expansão de 18,3%, frustrando as expectativas do mercado de uma variação de 18,5%. Vale lembrar que esse resultado atipicamente elevado é fruto de uma base de comparação deprimida, uma vez que o começo de 2020 marcou o pior momento da atividade no país, com fortes restrições à mobilidade impostas por conta da pandemia. A série com ajuste sazonal, que compara o momento atual da economia com o quarto trimestre de 2020, mostra um crescimento anualizado bem menor, de 2,4%. No trimestre anterior, essa variação havia sido de 13,4%, o que gera uma média de 7,9% nos últimos seis meses.

É esperado que a taxa de crescimento se normalize nos próximos trimestres, com o país fechando o ano de 2021 com expansão do PIB de cerca de 8,5%. Se confirmado, o resultado ficará bem acima da meta estabelecida pelo governo chinês, de crescimento de pelo menos 6%. Essa normalização deve ser puxada pelo consumo, principal aposta para o dinamismo da atividade na China em 2021. A surpresa positiva com os dados de vendas no varejo até março corrobora essa tese. Por outro lado, a esperada redução gradual de estímulos implica que os investimentos devem deixar de ser os protagonistas do crescimento, como foi o caso no ano de 2020.

Nos EUA, os indicadores começam a refletir o recente pacote de estímulos e a reabertura da economia. As vendas no varejo, por exemplo, tiveram forte crescimento em março, considerando a série com ajuste sazonal, ao variar 9,8% frente ao mês anterior. O grupo de controle, uma métrica que exclui categorias com comportamento bastante volátil, também mostrou variação robusta, de 6,9% na mesma base de comparação. A abertura mostrou uma melhora difundida entre os setores de consumo, com destaque para o crescimento de gastos com restaurantes, vestuário e produtos esportivos. O resultado consolida uma retomada do consumo no país, fruto dos incentivos governamentais aprovados recentemente e da retirada de restrições à mobilidade.

Alinhado com o cenário de expansão do consumo, o mês de março também trouxe surpresa com a inflação. O índice de preços ao consumidor variou 0,65% na comparação mensal, resultado acima do consenso de mercado, de 0,5%. Já o núcleo da inflação, uma métrica que exclui a inflação com alimentos e combustíveis e costuma receber mais atenção por parte das autoridades monetárias, cresceu 0,34% frente a fevereiro, acumulando alta de 1,65% nos últimos 12 meses. A inflação de serviços foi o principal destaque da abertura, com aceleração registrada em itens como alojamento fora de casa e seguro de veículos e com o fim da deflação de passagens aéreas. À medida que a economia retorne ao nível de atividade usual, deverá haver um movimento de realinhamento de preços, com o conjunto de serviços mais impactados pela pandemia mostrando inflação mais pressionada.

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