ENFOQUE MACRO | INFORME SEMANAL E PERSPECTIVAS

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BRASIL: PIB avança no 3º trimestre, com diferenciação entre indústria e serviços

MUNDO: Afetado pela nova onda da epidemia, mercado de trabalho nos EUA gera menos vagas que o previsto

O PIB do 3º trimestre de 2020 registrou alta de 7,7% na margem. Em relação ao mesmo período do ano passado, houve recuo de 3,9%, ligeiramente abaixo da nossa projeção e da mediana do mercado (-3,5%). O maior desvio em relação a nossa expectativa se concentrou no comércio, com crescimento abaixo do esperado (-1,3% na comparação anual, ante projeção de 2,4%).

Na comparação trimestral, pela ótica da demanda, houve crescimento do consumo das famílias (7,6%), do investimento (11,0%) e do consumo do governo (0,9%). O desempenho líquido do setor externo também foi positivo: apesar da queda nas exportações (de -2,1%), as importações apresentaram recuo maior (de -9,6%). Pela ótica da oferta, apenas a agropecuária apresentou queda (-0,5%). Os setores de serviços avançaram 6,3% e indústria 14,8%. Na indústria, todos os setores tiveram crescimento, com maiores contribuições da indústria de transformação (23,7%). No setor de serviços, as maiores contribuições positivas vieram do comércio (15,9%) e de outros serviços (7,8%), que abrangem serviços prestados às famílias, como educação, saúde, alimentação e hospedagem, e haviam apresentado queda de 17,0% no 2º trimestre. O resultado do 3º trimestre reflete a flexibilização das medidas de isolamento e a retomada das atividades no país. Nos próximos trimestres, a trajetória de recuperação terá como principais pontos a redução dos estímulos fiscais e a possibilidade de distribuição de vacinas. Para 2020, nossa projeção para o PIB é de -4,7%, enquanto esperamos crescimento de 4% para o próximo ano.

A produção industrial avançou 1,1% na margem em outubro. O crescimento da indústria foi menor que a mediana do mercado (1,5%). A indústria de transformação avançou 1,2% e passou a se situar 2,2% acima do patamar pré-crise. As principais contribuições setoriais vieram de fabricação de veículos (4,7%) e metalurgia (3,1%). Dentre as categorias de uso, a maior alta ocorreu em bens de capital (7,0%), enquanto bens de consumo tiveram alta de 0,7%. A produção de insumos típicos da construção civil apresentou alta de 0,4% no mês e a indústria extrativa recuou 2,3% na margem, puxada pela extração de petróleo. A despeito do número abaixo do esperado, os dados de outubro corroboram a recuperação acelerada da indústria.

Dados da Pnad Covid registraram o aumento da taxa de desemprego, resultado da maior busca por emprego. Segundo a pesquisa, a taxa de pessoas desocupadas teria aumentado de 14,0% em setembro para 14,1% em outubro. O resultado decorreu de um aumento maior da força de trabalho (1,5%) do que da população ocupada (1,4%). Os dados são condizentes com a volta das pessoas ao mercado de trabalho em função do relaxamento das medidas de isolamento social. Nesse sentido, a taxa de desemprego deve seguir trajetória de alta nas próximas leituras com reingresso das pessoas ao mercado de trabalho.  Ao mesmo tempo e, mais importante, esperamos continuidade da recuperação da ocupação nos próximos meses.

O setor público consolidado registrou superávit de R$ 3,0 bilhões em outubro após 8 meses de déficits. O resultado veio acima das expectativas de mercado, que apontavam déficit de R$ 3,2 bilhões no mês, mas foi inferior aos R$ 9,4 bilhões registrados no mesmo mês do ano passado. Na composição do indicador, o Governo Central apresentou déficit de R$ 3,2 bilhões, enquanto os governos regionais foram superavitários em R$ 5,2 bilhões e as estatais em R$ 998 milhões. A dívida bruta, por sua vez, continuou em elevação, atingindo 90,7% do PIB (+0,1 p.p ante setembro). O cenário segue desafiador do ponto de vista fiscal. A retomada da atividade econômica será importante para uma menor queda das receitas. Nossa projeção é de déficit primário de 11,8% do PIB em 2020.

Os EUA registraram surpresa negativa no mercado de trabalho, com a criação de 245 mil vagas de emprego em novembro. A expectativa era de criação de 460 mil vagas. Mesmo com esse resultado, a taxa de desemprego no país recuou para 6,7%, ante 6,9% em outubro. Isso é explicado pelo aumento da população ocupada e também pela queda da taxa de participação da população economicamente ativa (PEA), que cedeu de 61,7% para 61,5%.  O mês de novembro costuma ser marcado pelo aumento das contratações de final de ano, mas, com o novo avanço do vírus na região, as restrições de mobilidade foram retomadas, impactando novamente o setor de serviços e comércio. A continuidade da evolução da epidemia nos próximos meses deverá implicar perda de força da atividade, ainda que em magnitude distante daquela observada na primeira onda. De todo o modo, uma nova rodada de estímulo fiscal deverá ser adotada.

Indicadores de confiança (PMI) de novembro apontam recuperação heterogênea entre as principais economias do mundo. Na China e nos EUA, o PMI composto, que incorpora a expectativa da indústria e dos serviços, apresentou alta em novembro frente a outubro. Na  China, o indicador passou de 55,3 para 55,7, enquanto nos EUA a elevação foi de 56,3 para 58,6. Vale lembrar que níveis acima de 50 pontos indicam expansão econômica. Por outro lado, o PMI Composto da Zona do Euro recuou de 50 pontos em outubro para 45,3 pontos em novembro, puxado pelo componente de serviços, que cedeu para 41,7 pontos no mês. A queda na confiança nesse setor reflete os efeitos da adoção de novas medidas de isolamento na região, em especial após o avanço da segunda onda. De um modo geral, ainda há incerteza quanto à evolução da pandemia, mas acreditamos que os efeitos econômicos oriundos de restrições nessa segunda onda devem ser bem mais moderados do que os registrados na primeira. Em 2020 a economia global deverá contrair 3,8%, e avançar 5,5% em 2021.

Na próxima semana

No Brasil, destaque para o Copom, na quarta-feira, que definirá a Taxa Selic (BRAM: 2,00%). Ademais, a semana contará com a divulgação do IPCA de novembro (BRAM: 0,81%), além dos dados de comércio e serviços do mês de outubro. Na agenda internacional, o Banco Central Europeu (BCE) se reúne na quinta-feira, devendo anunciar novos estímulos, enquanto nos EUA serão divulgados os dados de inflação de novembro.

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