ENFOQUE MACRO | INFORME SEMANAL E PERSPECTIVAS

BRASIL: Indicadores de atividade avançam em agosto.

MUNDO: Revisões do FMI sugerem menor contração da economia global em 2020.

 

O Índice de atividade econômica do Banco Central (IBC-Br) variou 1,1% na margem em agosto. O indicador prévio do PIB, que apresentou crescimento abaixo das expectativas, refletiu as altas da indústria (3,6%), do comércio (4,6%) e do setor de serviços (2,9%) no mês (variações relativas às pesquisas para esses setores do IBGE). Na comparação interanual, houve recuo de 3,9%. O indicador se situa 4,0% abaixo do patamar pré-crise. Como apontado por indicadores de alta frequência, o 3º trimestre do ano deve registrar significativa recuperação após a contratação por conta das restrições em decorrência da epidemia. Para 2020, esperamos queda de 5,2% do PIB. 

O volume total de serviços prestados avançou 2,9% na margem em agosto. Na comparação anual, a variação foi de –10,0%, em linha com a nossa projeção e da mediana do mercado (-10,2%). Houve crescimento de todas as atividades à exceção de serviços de informação e comunicação (-1,4%), que corrigiu parte das altas anteriores.  A maior contribuição positiva veio de serviços prestados às famílias (33,3%), setor mais afetado pela pandemia por abranger serviços não essenciais, como hospedagem e alimentação. Mesmo com essa alta, o nível de atividade deste setor ainda se situa 42% abaixo do nível pré-crise. Serviços de transporte tiveram crescimento de 3,9%, favorecidos pelo aumento da circulação de pessoas no mês. O volume total de serviços ainda se situa 10,3% abaixo do patamar do início do ano, com todos os setores abaixo da média de janeiro e fevereiro. Por sofrerem maior impacto das medidas de isolamento social  em relação a outros setores, os serviços devem ter recuperação mais lenta e gradual, dependente da evolução da epidemia e do retorno da mobilidade de pessoas.

O mercado segue revisando para cima as projeções de inflação (IPCA), em especial para o resultado de 2020.  Segundo o último Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central, a mediana das projeções para o IPCA subiu de 2,12% para 2,47% na passagem da semana. Esse movimento reflete, em grande parte, a surpresa altista com a inflação de setembro, divulgada há poucos dias e que decorre fundamentalmente do choque de preços de alimentos. Para o próximo ano, a mediana segue próxima de 3,0%, nível alcançado em meados de junho. Vale comentar que, mesmo com as revisões recentes, as expectativas de inflação seguem abaixo da meta estabelecida pelo Banco Central, para ambos os anos. Com relação ao PIB, a mediana de projeções pouco se alterou desde ó último boletim, ficando próximo de –5,0% para o resultado de 2020 e de +3,5% para o de 2021. Por fim, as expectativas quanto à taxa Selic permaneceram inalteradas, com juros de 2,0% no fechamento de 2020 e de 2,5% no próximo ano.

Dados da Pnad Covid mostram elevação da taxa de desemprego na quarta semana de setembro. De acordo com a pesquisa, houve queda da população ocupada em relação à terceira semana do mês (-0,8%) ao mesmo tempo em que ocorreu aumento das pessoas na força de trabalho (0,1%), o que fez com que a taxa de desemprego passasse de 13,7% para 14,4%.  Da mesma forma, a taxa de desemprego ajustada, que considera aqueles que deixaram de buscar emprego por causa da pandemia, elevou-se de 22,2% para 22,8% na semana. O percentual de pessoas ocupadas, mas afastadas de seu trabalho devido ao distanciamento social cedeu de 3,4% para 3,3% no período, mostrando a volta da mobilidade.

O FMI revisou para cima a projeção de crescimento da economia global em 2020, passando de -5,2% do relatório de junho para -4,4%. Segundo a instituição, a melhora das projeções se concentrou no conjunto de países desenvolvidos e se deveu a um resultado acima do esperado para o 2º trimestre, assim como aos sinais promissores de retomada da atividade no terceiro trimestre. Para o ano de 2021, a instituição espera um crescimento de 5,2%, ligeiramente abaixo da previsão anterior, de 5,4%. De toda forma, a recuperação econômica nesses dois anos não deve ser suficiente para trazer a atividade de volta aos níveis anteriores à pandemia, com exceção da China, cujo PIB deve crescer 1,9% em 2020, segundo o FMI.

Nos Estados Unidos, dados de atividade de setembro mostram sinais mistos. Por um lado, as vendas do varejo avançaram 1,9% no mês, acima da mediana das projeções de mercado (0,8%). Na comparação com setembro de 2019, o resultado significou alta de 5,4%, acelerando frente à taxa de 2,8% registrada no mês anterior. O resultado aponta recuperação consistente do comércio varejista, puxado por setores menos afetados pela pandemia, como supermercados e comércio eletrônico. Por outro lado, a produção industrial teve recuo de 0,6% em setembro, abaixo da expectativa de mercado (de crescimento de 0,5%). Na comparação interanual, o resultado da indústria ainda apresenta queda de quase 6,0%. Reforçando esse cenário de lenta recuperação do setor secundário da economia americana, os dados de nível de utilização da capacidade instalada seguem deprimidos, rodando pouco acima de 70%, frente a uma média histórica próxima de 80%.

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