ENFOQUE MACRO | INFORME SEMANAL E PERSPECTIVAS

ENFOQUE MACRO | INFORME SEMANAL E PERSPECTIVAS

BRASIL: IPCA registra aceleração em setembro. Comércio tem avanço em agosto.

MUNDO: Ata do Fed reforça que o cenário contempla elevado grau de incerteza.

A inflação ao consumidor (IPCA) registrou alta acima das expectativas em setembro. O índice variou +0,64% no mês, acima da nossa projeção (0,51%) e do mercado (0,54%). A aceleração em relação a agosto (0,24%) foi determinada em maior parte pelo grupo ‘Alimentação’ (2,28%), pressionado sobretudo no caso da alimentação no domicílio por óleo de soja (27,5%), arroz (18%), carnes (4,53%) e leites e derivados (4,17%). Houve também aceleração da alimentação fora do domicílio (0,82%).  Além disso, contribuíram para o maior crescimento dos preços no mês a alta de ‘Vestuário’ (0,37%). Por outro lado, compensando parcialmente esses efeitos, o grupo ´Saúde e cuidados pessoais’ (-0,64%) registrou forte deflação no mês. Esse movimento se deveu à queda do item ‘Plano de saúde’, que, por sua vez, reflete a devolução das altas dos meses anteriores (forma encontrada pelo  IBGE para capturar a política de vedação de reajustes esse ano). O núcleo de ‘Serviços’, significativamente afetado pela pandemia, voltou a registrar alta, ainda que pequena (0,17%). A média dos núcleos de inflação (exclui itens voláteis) elevou-se para 0,28%, ao passo que, em doze meses, registrou 2,15%, o que sinaliza continuidade do cenário benigno para a inflação. Mesmo com a retomada da atividade e preços no atacado mais pressionados, que devem gerar aceleração dos preços de alimentos, nossa projeção para o IPCA de 2020 é de 2,6%, abaixo portanto do centro da meta do Banco Central.

Dados da Pnad Covid mostram redução da taxa de desemprego na terceira semana de setembro. De acordo com a pesquisa, o crescimento da população ocupada em relação à segunda semana do mês (1,3%) mais do que compensou o aumento das pessoas trabalhando ou buscando emprego (0,8%), o que fez com que a taxa de desemprego recuasse de 14,1% para 13,7%.  Vale notar que, segundo a pesquisa, o aumento no número de ocupados foi devido ao emprego formal, posto que houve recuo dos ocupados na informalidade no período. Da mesma forma, a taxa de desemprego ajustada, que considera aqueles que deixaram de buscar emprego por causa da pandemia, recuou de 23,2% para 22,2% na semana. O percentual de pessoas ocupadas mas afastadas de seu trabalho devido ao distanciamento social cedeu de 3,7% para 3,4% no período, mostrando uma gradual volta da mobilidade.

 As vendas no varejo apresentaram alta de 3,4% na margem em agosto. Houve elevação da maior parte dos setores, exceção feita a supermercados (-2,2%) e artigos farmacêuticos (-1,2%), corrigindo parte das altas dos meses anteriores, e livros, jornais e revistas (-24,7%). As maiores contribuições vieram dos avanços nas vendas de tecidos, vestuário e calçados (+30,5%), que tiveram queda expressiva nos meses anteriores, e outros artigos de uso pessoal e doméstico (+10,4%). O varejo ampliado, que inclui vendas de automóveis e materiais de construção, apresentou alta de 4,6% na margem em agosto, em linha com a nossa projeção e acima da mediana do mercado (4,1%). Por trás desse resultado, as vendas de automóveis tiveram crescimento de 8,8% no mês. O dado de agosto do varejo ampliado superou em 2,7% o patamar pré-crise (média de janeiro e fevereiro), muito embora alguns setores tenham superado em maior proporção tal marca, como material de construção, supermercados e móveis e eletrodomésticos. As próximas leituras devem seguir mostrando recuperação do setor.

Nos EUA, o Fed divulgou a ata da reunião que reforçou o cenário de cautela acerca da evolução da atividade nos próximos meses. Na reunião em que o Fed manteve a taxa de juros no intervalo de 0%a 0,25%, os membros reforçaram que o cenário ainda contempla incerteza extraordinária para a economia, decorrente primordialmente da evolução do vírus. Além disso, como potenciais riscos para a economia no curto prazo, o comitê destaca o possibilidade de menor suporte fiscal, bem como o aumento do risco financeiro decorrente do aumento da inadimplência e vulnerabilidade dos pequenos negócios. O cenário, portanto, ainda é de um longo período para a recuperação plena do mercado de trabalho, que tem contado com uma recuperação desigual até o momento, segundo os membros. A respeito da inflação, apesar das últimas leituras mais pressionadas, os membros trabalham com inflação acomodada e distante da meta do Fed no médio prazo. Tendo isso em vista, o comitê reforçou a necessidade de manter a política econômica acomodatícia até o retorno da atividade econômica aos seus níveis usuais. Sobre a introdução do forward guidance, embora tenha ocorrido alguma divergência a respeito da forma, a adoção da política foi decidida de forma unânime entre os participantes. Sobre os próximos passos, a novidade ficou por conta de alguns membros demandarem uma maior discussão sobre os programas de compras de títulos nas próximas reuniões. Diante de toda a incerteza oriunda do vírus e do impacto sobre o mercado de trabalho, avaliamos que os estímulos permanecerão por um período prolongado.

Na Zona do Euro, as vendas no varejo registraram alta acima do esperado em agosto. Na margem, as vendas do varejo avançaram 4,4% no mês, após recuo de 1,8% em julho, com o continuo relaxamento das medidas de isolamento social. Na comparação interanual, as vendas no varejo passaram de –0,1% em julho para 3,7% em agosto. O índice se encontra 3,1% acima do nível de fevereiro, antes da crise. O novo avanço do vírus em algumas regiões deverá trazer volatilidade para a leitura dos indicadores de serviços e comércio no curto prazo. Ainda assim, as medidas de contenção deverão ser localizadas, distante das medidas drásticas de restrição adotadas em março e abril.  No ano, o PIB da Zona do Euro deverá contrair ao redor de 8%.

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