ENFOQUE MACRO | INFORME SEMANAL E PERSPECTIVAS

ENFOQUE MACRO | INFORME SEMANAL E PERSPECTIVAS

BRASIL:   IPCA mostra inflação moderada em agosto.  Comércio e serviços têm avanço em julho

MUNDO:  Banco Central Europeu sinaliza manutenção dos estímulos monetários

A inflação ao consumidor (IPCA) registrou alta moderada em agosto. O índice variou +0,24% no mês, abaixo da nossa expectativa. A desaceleração em relação a julho (0,36%) foi determinada sobretudo pelo grupo ‘Educação’, que teve deflação de 3,47% ao incorporar os descontos em cursos regulares concedidos durante a pandemia. Em adição a esse efeito, a desaceleração de ‘Habitação’ (0,36%) e a maior deflação de ‘Vestuário’(-0,78%) mais do que compensaram a aceleração do grupo ‘Alimentação’  (0,78%), pressionado sobretudo por carnes, leites e derivados e arroz.  ‘Serviços’, profundamente afetados pela pandemia,  tiveram nova deflação (-0,47%). A média dos núcleos de inflação (exclui itens voláteis) permaneceu baixa, em 0,10%, ao passo que, em doze meses, manteve-se em 2,0%, o que sinaliza continuidade do cenário benigno para a inflação. Mesmo com a retomada da atividade e preços no atacado mais pressionados, que devem gerar aceleração do grupo ‘Alimentação no Domicílio’, nossa projeção para o IPCA de 2020 é de 2,1%, abaixo portanto do piso da meta do Banco Central (de 2,5%).

O volume total de serviços prestados avançou 2,6% na margem em julho. Na comparação anual, a variação foi de –11,9%, abaixo da nossa projeção (-9,6%) e da mediana do mercado (-10,1%). Houve crescimento de todas as atividades à exceção de serviços prestados às famílias (-3,9%), setor mais afetado pela pandemia por abranger serviços não essenciais, como hospedagem e alimentação. O volume de serviços desse setor ainda se situa 57% abaixo do nível pré-crise. A maior contribuição positiva veio de serviços de transporte (2,3%), favorecidos pelo aumento da circulação de pessoas no mês. O volume total de serviços ainda se situa 13% abaixo do patamar pré-crise, com todos os setores abaixo da média de janeiro e fevereiro. Por sofrerem maior impacto das medidas de isolamento social  em relação a outros setores, os serviços devem ter recuperação mais lenta e gradual, dependente da evolução da epidemia e do retorno da circulação irrestrita de pessoas.

As vendas no varejo apresentaram alta de 5,2% na margem em julho. Houve elevação generalizada dentre os setores, à exceção de supermercados, cujas vendas ficaram estáveis em relação a junho. As maiores contribuições para a alta decorreram de tecidos, vestuário e calçados (+252%), que tiveram queda expressiva nos meses anteriores, e combustíveis e lubrificantes (+6,2%). O varejo ampliado, que inclui vendas de automóveis e materiais de construção, apresentou avanço de 7,2% na margem em julho, acima da nossa projeção (6,1%) e da mediana do mercado (5,5%). As vendas de automóveis tiveram crescimento de 13,2% no mês. O dado de julho do varejo ampliado se situa apenas 1,6% abaixo do patamar pré-crise (média de janeiro e fevereiro), muito embora alguns setores tenham superado tal marca, como material de construção, supermercados e móveis e eletrodomésticos. As próximas leituras devem seguir mostrando recuperação do setor.

Dados da Pnad Covid mostram redução da taxa de desemprego na terceira semana de agosto. De acordo com a pesquisa, houve crescimento da população ocupada em relação à segunda semana do mês (0,8%) em ritmo superior ao das pessoas buscando emprego (0,4%), o que fez com que a taxa de desemprego recuasse de 13,6% para 13,2%. Por sua vez, a taxa de desemprego ajustada, que considera aqueles que deixaram de buscar emprego por causa da pandemia, recuou de 23,9% para 23,2% na semana. O percentual de pessoas ocupadas mas afastadas de seu trabalho devido ao distanciamento social cedeu de 5,2% para 4,8% no período, mostrando uma gradual volta da mobilidade.

O Banco Central Europeu (BCE) sinalizou manutenção dos estímulos monetários, sem alterações. O banco manteve a política emergencial de compra de títulos e ativos financeiros, além de manter o patamar da taxa de depósito em -0,5% a.a., da taxa de refinanciamento em 0,0% e da taxa de empréstimo em 0,25%. As projeções contaram com uma melhora da perspectiva para atividade e inflação. A projeção do BCE para o PIB da região em 2020 passou de -8,7% para queda de -8,0%. Já a expectativa para o núcleo da inflação em 2020 foi mantida em 0,8%, mas sofreu elevação em 2021 (de 0,7% para 0,9%) e 2022 (de 0,9% para 1,1%). Na entrevista após a reunião, a presidente do BCE, Christine Lagarde, destacou que a recuperação da atividade tem surpreendido positivamente. A respeito da recente apreciação do Euro, que pode produzir um impulso baixista para os preços e dificultar ainda mais o alcance da meta de inflação,  Lagarde afirmou que o BCE está monitorando a evolução do câmbio, e que no atual estágio não é necessário reagir. Diante do quadro de elevada incerteza, o BCE deverá manter os estímulos monetários por um período prolongado, de forma a fazer com que a inflação convirja de forma consistente à meta de 2%.

Nos EUA, a inflação desacelerou em agosto. No mês, o índice de preços ao consumidor (CPI) teve alta de 0,4%, após 0,6% em julho, acumulando alta de 1,3% na variação interanual. Apesar da surpresa altista concentrada em bens, serviços seguem sem sinais de aceleração. O núcleo da inflação (exclui itens voláteis) também recuou de 0,6% para 0,4% (1,3% na variação interanual). Em termos anuais, o núcleo do CPI acelerou de 1,6% para 1,7%. A inflação nos EUA, embora com as últimas leituras acima da expectativa do mercado, segue bem comportada e distante de gerar preocupação ao Fed.

Na China, a inflação ao consumidor (CPI) também desacelerou em agosto. A taxa acumulada em doze meses recuou de 2,7% em julho para 2,4% em agosto, enquanto o núcleo da inflação (exclui itens voláteis) permaneceu em 0,5%. A desaceleração foi devida ao grupo alimentação, por conta da dissipação da alta de preço da carne suína ( de 85,7% em julho para 52,6% em agosto) e normalização de preços dos produtos in natura. Ao mesmo tempo, a inflação ao produtor (PPI) apresentou maior deflação, passando de –2,0% em julho para –2,4% em agosto. Os dados de inflação para a China apontam que o país está em um período de recuperação gradual, com retomada da demanda doméstica, mas ainda em ritmo insuficiente para criar pressão inflacionária. O cenário benigno de inflação abre a possibilidade de aumento de medidas de estímulo no país.

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